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Filhos do Vazio · Um Novo Amanhecer — May Liam

Por May Liam

O delicado equilíbrio mantido pelas quatro Fontes Primordiais é ameaçado quando os reis de Astravia desaparecem sem deixar vestígios. Em busca de respostas, a princesa Ebby Berlin cruza as fronteiras de seu reino e une forças com herdeiros de nações rivais, sem imaginar que a verdadeira ameaça renascia sob o chão de sua própria casa. Em uma falha do destino, sua irmã, Eden, quebra o encanto ancestral que mantinha a misteriosa Candise Berlin aprisionada em pedra por duas décadas. Desperta e tomada pela dor, Candise torna-se receptáculo do Vazio — uma entidade milenar que se alimenta das mágoas e ressentimentos humanos. Enquanto mentiras de família vêm à tona e coroas começam a cair nos quatro reinos, os jovens herdeiros precisam enfrentar não apenas as sombras que se erguem, mas também a escuridão capaz de nascer dentro de si mesmos.

Um Novo Amanhecer

O primeiro raio de sol atravessou a janela do quarto de Ebby Berlin antes mesmo que o sua dama a acordasse.

Ela abriu um dos olhos, resmungou alguma coisa incompreensível e puxou o cobertor até a cabeça.

E cinco segundos depois ela escuta...

— Princesa!

A voz do lado de fora fez o cobertor voar.

— Você prometeu que hoje não ia se atrasar!

Ebby abriu os olhos de uma vez.

— Céus! Meu pai vai me matar!!

Ela saltou da cama tão rápido que quase tropeçou nos lenções que ela tinha jogada para fora da cama durante a noite.

Enquanto prendia o cabelo de qualquer jeito, abriu a porta.

Do outro lado, Eden cruzava os braços, claramente tentando parecer séria.

— Faz exatamente sete minutos que estou esperando.

Ebby sorriu.

— Só sete?

— Não tem graça.

— Ah tem um pouquinho sim.

Eden bufou.

— Sabe que o papai já está esperando no pátio de treinamento né?.

O sorriso desapareceu do rosto de Ebby.

— Ah...

— Boa sorte.

— Você podia me defender dessa vez... Não sei.. Talvez dizer que...

— Nem pensar — Eden interrompe Ebby.

— Não vou me meter nas suas burradas dessa vez

As duas começaram a rir enquanto atravessavam os corredores do castelo.

Os soldados faziam reverencias ao ver as jovens princesas passando.

Servos desejavam bom dia.

As crianças que ajudavam na cozinha correram até a janela apenas para acenar para as princesas.

Ebby respondeu cada cumprimento pelo nome.

Ela conhecia praticamente todos que viviam dentro do castelo.

Era impossível atravessar o palácio sem parar para conversar com alguém.

— Bom dia, princesa!

— Bom dia, senhor Otto!

— A mãe de vocês passou aqui agora pouco, vocês estão tão lindas quanto ela.

— Obrigada!

Eden sorriu discretamente.

— Você conhece todo mundo né?.

— Mamãe diz que um reino não é feito de castelos.

— É feito de pessoas.

Ebby repetiu a frase exatamente como Daphne costumava dizer.

Quando chegaram ao pátio, Hector já esperava.

Com uma espada de madeira apoiada no ombro e um sorriso divertido no rosto.

— Achei que tivesse desistido.

Ebby pegou uma espada de treinamento.

— Nunca.

— Tem certeza?

Ela assumiu posição.

— Absoluta.

Hector sorriu.

— Então venha.

O primeiro golpe veio tão rápido que Ebby mal conseguiu defender.

O segundo a fez recuar dois passos.

O terceiro derrubou sua espada no chão.

Silêncio.

Hector estendeu a mão para ajudá-la a levantar.

Ela recusou.

Pegou a espada sozinha.

Voltou para a posição inicial.

— De novo.

O rei sorriu, orgulhoso.

Era exatamente isso que esperava ouvir.

Mas Ebby ainda não era boa o bastante para acompanhar todos os movimentos de alguém que, antes de se tornar rei, havia sido considerado o melhor soldado de Astravia.

Ebby caiu várias vezes, mas levantou em todas elas.

Hector sorria discretamente ao ver ela insistir.

Do outro lado do campo de treinamento, Eden assistia à cena com os braços cruzados, e se divertindo com cada derrota da irmã.

Após mais alguns golpes, Hector abaixou a espada de madeira e respirou fundo.

— Você está um pouquinho melhor do que da última vez.

Ebby levou a mão ao peito, indignada.

— Só um pouquinho?

Eden não conseguiu conter a risada.

— Eu achei que você ia conseguir aguentar mais hoje.

— Muito engraçado...

Hector deu uma leve gargalhada antes de apoiar a espada sobre o ombro.

— Por hoje chega. Seu fôlego ainda está péssimo. Você luta bem, mas se alguém te atacar de surpresa, vai se cansar antes mesmo de terminar o combate.

Ebby fez uma continência exagerada.

— Sim, senhor.

Enquanto pai e filha descansavam, uma figura elegante surgiu caminhando pelo jardim.

Era Daphne Berlin.

Rainha de Astravia.

Esposa de Hector.

Mãe de Ebby e Eden.

Seu vestido azul escuro balançava suavemente com o vento, e sua expressão serena deixava impossível adivinhar o que ela estava pensando.

Quando finalmente se aproximou, cruzou os braços e sorriu.

— Tomei café da manhã sozinha hoje.

Os três se entreolharam.

— Posso saber o motivo?

Por alguns segundos, ninguém respondeu.

Então Eden apontou para a irmã.

— A culpa foi da Ebby. Ela se atrasou de novo.

— Eu ainda não entendo como alguém consegue perder a hora todos os dias.

Ebby bufou.

— Eu fiquei estudando os mapas ate tarde ontem, então eu dormi demais.

Eden arqueou uma sobrancelha.

— Mentira.

— Não é!

— É sim. Passei no seu quarto ontem de noite e a sua mesa estava cheia de livros de aventura, não de mapas.

— Eden!

Ebby arregalou os olhos.

— Mãe, ela está exagerando!

Daphne levou a mão à boca para esconder a risada.

— Tudo bem... eu acredito em você.

Ebby sorriu, aliviada.

— Mas...

A rainha aproximou-se da filha e passou delicadamente os dedos entre seus longos cabelos cacheados.

Os dedos prenderam em um nó.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Por que seu cabelo parece que esta abrigando um ninho de passarinhos?

Hector e Eden caíram na gargalhada.

Ebby apenas abaixou a cabeça, derrotada.

— Não deu tempo de arrumar...

— Imaginei.

Daphne sorriu com carinho e ajeitou uma mecha do cabelo da filha.

— Agora, chega de brincadeiras. Quero que vocês duas se arrumem adequadamente.

As irmãs se entreolharam.

— Daqui a algumas horas iremos visitar o Palácio de Cedric para acompanhar as reformas. Receberemos alguns nobres e representantes das cidades do reino, então preciso das minhas duas princesas impecáveis.

— Sim, mãe! — responderam as duas ao mesmo tempo.

Desde pequenas, Ebby e Eden adoravam visitar o Palácio de Cedric.

Construído na cidade de mesmo nome, o palácio simbolizava o renascimento de Astravia.

Cedric e o maior centro comercial do reino e também a primeira cidade reconstruída por ordem da rainha Annabel, em homenagem ao pai, Cedric Berlin, o príncipe que liderou a rebelião contra os falsos reis e devolveu a liberdade ao povo.

Depois de se despedirem dos pais, as duas seguiram para a ala leste do castelo.

Cada princesa foi acompanhada por suas damas.

Um lindo vestido verde claro com detalhes em branco e em dourado foi o escolhido para Ebby usar.

Um belos conjunto de brincos, colar e pulseira de esmeraldas foram os escolhidos para serem usados pela jovem princesa.

Ela estava impecável, o verde que tinha em suas roupas e acessórios combinava perfeitamente com a tom verde de seus olhos herdados da sua mãe, além de tambem dar um ótimo contraste com a cor de sua pele parda puxada do lado de ambos os pais.

Os cabelos finalmente foram cuidados e receberam um penteado elaborado um coque envolto em transas que formavam um lindo desenho em sua cabeça.

No quarto ao lado Eden também vestia verde a cor da casa Berlin junto com um par de luvas brancas que iam até os seus cotovelos uma pulseira no braço esquerdo um colar delicado de ametistas e pequenos brincos com a mesma pedraria, Daphne sempre dizia que sua filha mais nova era idêntica a seu pai e mais parecida ainda com a sua irmã mais velha pele clara olhos com um tom de roxo estranhamente escuros e cabelos bem lisos e pretos, seus cabelos foram penteados para trás e presos a duas tranças que se união na parte de trás da cabeça.

E assim como sua irmã ela estava perfeita

Quando terminaram, pareciam duas verdadeiras princesas saídas de um conto.

Pouco tempo depois, a comitiva deixou o castelo.

Na primeira carruagem seguiam Hector e Daphne.

Logo atrás vinham Ebby e Eden.

E ao redor alguns soldados que se certificavam da segurança da familia

A viagem até Cedric era tranquila e durava apenas algumas horas.

Ao longo do caminho, atravessaram pequenas vilas onde agricultores, comerciantes e crianças deixavam seus afazeres apenas para acenar para a família real.

Os quatro retribuíam cada sorriso.

Antes de chegarem ao destino, passaram pela cidade de Annabel.

Fundada por Daphne a poucos anos antes, aquela cidade havia sido construída em homenagem à sua mãe.

Era o coração militar de Astravia e abrigava a Academia Real.

No centro da praça principal erguia-se a maior estátua já construída no reino.

A imagem retratava Annabel Berlin com o olhar firme voltado para o horizonte empunhando sua espada.

Aos seus pés, flores coloridas eram deixadas diariamente pelo povo.

Ebby e Eden sempre faziam questão de observar pela janela da carruagem.

Nunca conheceram a avó.

Mesmo assim, sentiam orgulho dela.

Sabiam, pelas histórias, que havia sido uma mulher forte, justa e amada por todo o reino.

Mais uma hora de viagem se passou.

Então surgiu, ao longe, a enorme estátua de Cedric Berlin, fundador da rebelião que libertou Astravia.

Poucos minutos depois, as torres do Palácio de Cedric apareceram no horizonte.

Assim que as carruagens atravessaram os portões, trabalhadores interromperam seus serviços.

Os habitantes da cidade se reuniram diante do palácio.

Aplausos ecoaram por toda a praça.

Crianças acenavam.

Soldados sorriam.

Os reis e as princesas responderam aos cumprimentos com a mesma alegria.

Naquele dia...

Tudo parecia em paz.

Naquele instante, era impossível imaginar que aquela seria a última vez em muito tempo que a família Berlin pisaria junta naquele lugar.

O futuro ainda parecia distante.

E ninguém desconfiava de que ele já havia começado.