Capítulo 1 - Sangue do dragão
Prólogo
Klaus
Carta aos afortunados
Em 17 de julho de 1299
O mundo inteiro conheceu o rei lendário Sir Frances Draken, que durante a sua juventude criou o clã mais poderoso que a humanidade já viu, conhecido como Royal Arc. Ele reuniu tesouros, libertou escravos, e também pôde enfrentar todos os guerreiros que juravam ser seres invencíveis. Seu maior feito foi ser o primeiro homem a conquistar Skyland, que recebeu esse nome justamente por ser a única ilha do planeta que flutua pelos céus, além de ter uma vasta variedade de biomas e animais exóticos. Construiu o seu reinado, que durou 60 anos, e que infelizmente foi destruído por uma aliança criada com o intuito de destruir reinados: a Kill King, eis a desgraça na terra. Formada por bruxas, colossais, demônios e mutantes reis, eles conseguiram derrubar o rei que um dia já foi lendário, isso por já não ter mais tanto poder, Draken perdeu para sua própria idade.
Mas muitos membros de seu clã morreram, e outros conseguiram fugir. Skyland, porém, não ficou sob o controle da Kill King, pois mesmo após a derrota da Royal Arc, os anjos do mundo celeste intervieram e expulsaram a Kill King da ilha. Na Royal Arc, um dragão lendário conhecido como Eron Dragon morreu em batalha, mas uma pessoa recolheu uma pequena parte de seu sangue e o colocou em um cálice que foi levado para bem longe daquela ilha paradisíaca. Isso aconteceu no dia 18 de abril de 1299.
Eron Dragon acreditava que aquele que bebesse do seu sangue herdaria seus poderes, e com eles faria bom uso, salvando quem precisa, lutando por um ou por vários sonhos, através dele reconquistando o que foi perdido. Os menos afortunados esperam com ânsia para conhecer aquele ser que um dia mudará tudo o que eles já conhecem. E os que já são afortunados vão poder conhecê-lo de igual pra igual, sem esforço algum, apenas com um olhar.
Capítulo 1. Sangue do dragão
18 de fevereiro de 1348, em Diamond Blue.
Todos os reinados do continente Aquaris estavam prestes a conhecer os feitos dos heróis da terra: a Tropa do Rei Magnus. São os guerreiros que viajam acompanhando um jovem determinado, seguindo um sonho que muitos possuem, mas que poucos têm a coragem de perseguir.
Criar um reinado do zero, só com determinação e palavra, não é algo que qualquer um vai conseguir, ainda mais sendo tão jovem. Foi o que disseram a Maxwell Magnus, mas para ele essas eram palavras de pessoas que já haviam desistido cedo demais dos próprios sonhos, perderam a coragem e aceitaram um destino que não desejavam.
Aos 18 anos de idade, Maxwell Magnus criou o seu clã: a Tropa do Rei Magnus, que em pouco tempo enfrentava todos os criminosos em certas regiões de Aquaris Sulis, conquistando o respeito dos outros clãs por todo o continente. A tropa estava nos arredores do reinado de Diamond Blue quando decidiu atacar o bando de ladrões que tinha roubado alguns artefatos mágicos do templo sagrado Hallzbourgh, que eram itens usados e preservados apenas por magos de alto nível, mas que ficavam guardados lá dentro.
Os ladrões nem sabiam do que cada item era capaz, nem o estrago que poderiam causar; só queriam vender os artefatos no mercado negro, o que lhes renderia uma boa quantidade de ouro e prata, talvez toneladas. Mas não era só isso que tinham em mente: cada ladrão havia capturado uma donzela, com um objetivo claro — satisfazer suas vontades carnais, do jeito mais infame e cruel. Porém, eles não contavam com a presença dos heróis, que estavam prestes a mandar cada um deles para o mais profundo do inferno, da forma mais humilhante possível.
A Tropa do Rei Magnus os observava de longe, no alto do morro, entre as rochas, esperando apenas um sinal de Maxwell para atacar.
— Fogo! — disse Maxwell, com muita frieza.
Sua companheira elfa e arqueira do grupo, Sara Karin, já mirava com seu arco. Assim que escutou o sinal de Maxwell, disparou, acertando o primeiro ladrão bem no meio da testa — ele morreu na hora. Os outros ficaram em alerta, pegaram as armas e começaram a procurar quem havia atacado.
A tropa desceu a montanha com seus cavalos, indo em direção aos ladrões. Eram apenas oito contra vinte, mas parecia ser só mais um treino para os heróis. O mago da tropa, Bobby Lizart, com sua magia de raios, derrubou os cinco primeiros com potência; três deles ainda tentaram atingir os cavalos dos heróis com suas espadas, mas Jinx, a feiticeira da tropa, usou três potes de suas poções mágicas, atingindo as espadas dos ladrões e transformando-as em poeira, dando brecha para Buup, o estagiário da tropa, atacar. Esse jovem é rápido, muito saltitante, e com suas acrobacias se aproximava dos ladrões, usando uma barra de ferro como arma, dando golpes que chegavam a quebrar ossos.
Helena Silver, que domina a magia aquática, derrubou outros três bandidos com sua magia: criou chicotes de água e os atingiu com chicotadas, além de roubar suas armas para si. Kohan, o gladiador da tropa, um guerreiro bruto capaz de derrubar guerreiros com um só braço, naquele momento nem precisou usar suas lâminas de combate, só com apenas um soco em cada um, derrubou três bandidos no chão de forma brutal, como se fosse uma marreta batendo em pregos.
Sobraram apenas cinco ladrões de pé, mas um deles, com medo, tentou fugir. Porém algo o fez travar e parar naquele mesmo instante: viu diante dos seus olhos um dragão feito de fogo, tão assustador que o fez se ajoelhar e implorar pela vida. O ladrão que tentou fugir estava com tanto medo que chegou a se urinar e desmaiar. Os outros também foram derrotados rapidamente. Os heróis os cercaram e já estendiam as mãos para as garotas que haviam sido capturadas, mas Maxwell não queria prender ninguém, apenas deu a ordem para matar cada um.
Dan foi o primeiro a atacar dois ladrões, que também tentaram matá-lo, cercando-o de cada lado com lanças capazes de perfurar seu corpo. Mas Dan foi mais esperto: no momento do ataque, bloqueou com seu escudo a lança que vinha pelo lado esquerdo, e pelo lado direito quebrou a outra lança usando apenas a espada. Como contra-ataque, saltou do próprio cavalo e, com um golpe giratório, cortou os pescoços dos dois ladrões.
Maxwell venceu os outros dois últimos: uma porrada bem no meio da testa do primeiro fez o corpo dele afundar no chão, e o segundo teve o azar de errar o corte de espada que mirava no peito de Maxwell que, com um reflexo excelente, desviou no tempo certo e contra-atacou com um chute na cabeça, tão forte que fez o corpo do ladrão voar longe, acertando uma rocha e caindo morto no chão.
As donzelas subiram nos cavalos de Bobby, Helena, Sara, Dan e Jinx, e em seguida todos saíram do local para levá-las de volta às suas casas. Essa era só uma mínima fração do que estava por vir, a incrível Tropa do rei Magnus não surgiu do nada, a história de Maxwell e seus amigos foi escrita pelas estrelas, e o mundo conheceria sua magnífica jornada.
18 anos atrás...
28 de janeiro de 1330, em Avak.
Um jovem cavaleiro lendário, montado em seu cavalo, galopava em direção a uma masmorra sombria dominada por mutantes, com mais uma missão a cumprir. Sir Leônidas Magnus é o seu nome, filho de Edward Magnus. Formou-se em Harpa, a academia de cavaleiros localizada no reino de Cristal White, reinado do rei Charles Eliot.
Os arredores do reino eram infestados por masmorras, onde viviam muitos dos mutantes, e cada masmorra tinha um mutante rei, o mais forte entre eles. O rei Charles ordenou que cada cavaleiro da elite escolhesse e invadisse uma masmorra para matar os mutantes e transformá-las em novos pontos de domínio do reino.
Leônidas chegou naquela masmorra, mas antes de entrar percebeu esqueletos e muitas caveiras espalhadas pelo chão, além de corpos empalados por estacas, em fileiras formando um corredor até a entrada principal. Ele entrou; não precisou acender suas tochas para se locomover com mais clareza, pois já havia tochas acesas. Havia terríveis teias de aranha nas paredes, pedaços de panos velhos espalhados pelo chão, algumas roupas e pedaços de armadura com manchas de sangue já nos salões e corredores da masmorra. O que mais se via, junto com a sujeira, eram restos de comida misturados com a terra.
Mas nada disso preocupava Leônidas. O que o deixou em alerta foi ouvir o choro de uma criança vindo de um dos salões. Até aquela hora, ele não tinha encontrado nenhum mutante ali dentro, e era a primeira vez que escutava choro de criança em um lugar tão perigoso e hostil. De início pensou que fosse coisa da própria cabeça, algum ser maligno brincando com sua mente — mas não, o choro era real. Ele seguiu a voz e chegou a um cômodo onde havia um bebê.
Ele não conseguia acreditar no que estava vendo, parecia mesmo ser ilusão. Aproximou-se do bebê e percebeu que era um menino de pele negra, com um símbolo em seu braço direito representando um tubarão, parecia ser uma marca de nascença, embora não tivesse certeza. Não fazia ideia de como uma criança tinha ido parar naquele lugar, nem como havia sobrevivido. O bebê estava dentro de uma cesta, sobre uma pilastra de mármore, o corpo coberto por um manto feito de panos de luxo, com uma fina corrente de prata envolta ao redor do corpo. Tinha olhos verdes clarinhos, chorava muito, e o cabelo curto com as pontas das mechas onduladas.
Leônidas se perguntou: como você chegou aqui, e como sobreviveu? Afinal, quem são os seus pais, estão vivos ou mortos? Eis a grande questão: de onde você vem?
Os pensamentos do cavaleiro sobre o bebê na masmorra não paravam de surgir, e mesmo sabendo que não podia deixar sua missão de lado, decidiu primeiro tirar aquele bebê dali e levá-lo para algum lugar seguro, já sabendo que dificilmente alguém iria querer adotá-lo.
Porém, naquele exato momento em que decidia tirar o bebê da masmorra, o rei mutante que a dominava apareceu, entrando no salão rastejando pelo chão como se fosse uma serpente, e então transformou seu corpo para a forma original.
Encarou Leônidas nos olhos e disse:
— Você não pode ir embora e levar o meu jantar para longe!
Leônidas respondeu com seriedade:
— É por bizarrices como essa que sua raça está sendo extinta... suma daqui, verme!
— Vai me repreender? Vai deixar sua missão de lado, cachorrinho de rei? — provocou o mutante, com deboche.
Mas Leônidas não caiu na provocação e respondeu calmamente:
— De fato essa era a minha missão, mas hoje eu decidi poupar a sua vida, seu ser insignificante, pois encontrei uma alma que vale a pena ser zelada.
O mutante se enfureceu:
— Me poupar? Eu não estou te implorando pela vida, então não vire as costas para mim, cavaleiro!
Tentou atacar Leônidas pelas costas, com um golpe forte usando o braço que se esticava como se fosse um corpo de cobra, e com unhas envenenadas na ponta, mas num piscar de olhos, seu braço foi cortado pela lâmina da espada de Leônidas, que ele havia sacado numa velocidade maior que a da luz. O mutante rei gritou de dor, a criança se assustou e começou a chorar. Leônidas colocou o bebê de volta na cesta, deixou-a no chão, retirou uma adaga da cintura, jogou-a levemente para cima e, com um chute giratório, acertou o cabo da adaga, lançando-a até o mutante, que o atingiu na boca e atravessou sua nuca.
O mutante poderia ter vivido, mas morreu simplesmente por ter acreditado que podia vencer o cavaleiro lendário. Leônidas saiu de lá com o bebê nos braços, e enquanto descia as escadas que davam acesso à entrada principal da masmorra, decidiu que criaria e cuidaria daquele menino.
— Eu não conheço a sua origem, e também não tenho certeza se os seus pais estão vivos ou mortos, mas eu tenho certeza de que o nosso encontro aqui só pode ser coisa do destino. Então, em homenagem ao meu avô, que foi um homem lendário, eu vou te batizar com o nome dele: Maxwell Magnus!
10 anos depois.
5 de setembro de 1340, no Arquipélago das Ilhas Drumond.
Foi nessa região que Maxwell Magnus cresceu em um arquipélago de ilhas no litoral de Aquaris, no nordeste do reino de Bondek. Lá dentro havia vários vilarejos satélites, e Maxwell foi criado em um deles, chamado Rancho.
Todos os vilarejos tinham um ancião chefe, e cada um deles tinha também seus próprios costumes, culturas e festejos, tendo em comum apenas o idioma e as profissões , cada lugar possuía um profissional com alguma especialidade, em especial o comércio, que trazia muitos visitantes de outras regiões. Além disso, o Arquipélago das Ilhas Drumond era um lugar conhecido por sua beleza natural, terra fértil, uma vasta quantidade de animais selvagens de espécies diferentes, um lugar pacífico e seguro, onde não havia crimes nem monstros. Era perfeito para receber turistas de todos os cantos.
Maxwell teve que aprender a lutar muito cedo, pois Leônidas queria que fosse um jovem prodígio, sabendo da grande importância disso no futuro. Maxwell se desenvolveu muito rápido, ficou muito habilidoso, aprendeu a ler e escrever ainda novo, algo que não era comum entre as crianças, e mesmo muitos adultos daquela época infelizmente eram analfabetos. Só nobres tinham acesso a uma boa educação e estudos, e, por ser filho adotivo de um cavaleiro nobre, Maxwell teve acesso ao estudo, ao treino, à boa culinária e a roupas nobres.
Porém, nem tudo era um mar de rosas para Maxwell. Ele sempre cresceu em dúvida sobre quem eram seus pais, e mesmo amando Leônidas, nunca entendeu o motivo de ter sido um bebê abandonado, mas algo em seu coração dizia que a culpa não tinha sido deles. Via como os pais dos outros vilarejos criavam seus filhos, cada um à sua maneira, e ele simplesmente queria saber como era ter uma mãe.
Leônidas cuidou dele com todo o amor e carinho possíveis, mesmo sendo rígido com a rotina de treino e estudos, e Maxwell sempre foi grato por isso. Os dois pareciam ser mais melhores amigos do que pai e filho, e isso, aos olhos dos outros moradores do vilarejo, era lindo de se ver.
Certo dia, Maxwell ganhou um livro de presente de um dos moradores do vilarejo. Nele, contava-se a história de Sir Frances Draken e da Royal Arc, e falava-se também sobre Skyland, a única ilha flutuante do mundo. Isso inspirou o menino a ser um rei e criar seu próprio reinado assim que ficasse mais velho, como seu herói Draken tinha feito na juventude, e Maxwell também queria construir seu reino no mesmo lugar: em Skyland.
Ele contou o sonho para Leônidas, e os dois tiveram uma conversa importante, que daria início a uma escolha que levaria Maxwell muito longe.
— Preste atenção, meu filho: para que um dia você se torne um rei, precisa ter pessoas ao seu lado te apoiando, porque você não faz parte da realeza. Ser rei, construir um reinado, é o sonho de muitos, mas poucos vão atrás — não por falta de conhecimento, mas por falta de coragem. Você acha que tem essa coragem?
Maxwell respondeu firme:
— Eu tenho essa coragem, papai. Esse é o meu sonho, e quando eu for mais velho eu vou conseguir!
Leônidas continuou:
— Entenda que, para realizar esse sonho, você precisa criar um clã — sem isso é impossível. Porém, para ter a liberdade de criar um clã, é obrigatório ser um cavaleiro formado.
— Olha, o senhor é um cavaleiro. Por que não tem o seu próprio clã?
— Eu nunca quis, e nem precisei criar um clã. Um cavaleiro pode ser autônomo, como eu, ou pode servir a um rei, como a maioria.
— Mas o senhor já não serviu a um rei antes? — perguntou Maxwell, confuso.
— Sim, mas isso foi antes de te criar aqui. Eu me formei em Harpa, a famosa academia de cavaleiros do reino de Cristal White, tornei-me um cavaleiro da elite, servindo ao rei Charles Eliot, e só depois que te adotei me tornei um cavaleiro autônomo.
Maxwell começou a compreender.
— Então eu preciso me tornar um cavaleiro antes, e só depois criar um clã — aí sim vou poder realizar o meu sonho?
— Exatamente! Você vai entrar na academia aos 15 anos de idade, formar-se aos 17, e vai poder criar um clã aos 18, pois já será um adulto. Assim estará pronto para a próxima etapa de sua jornada.
— Então está decidido, é isso o que eu vou fazer. Eu vou ser um rei!
20 de dezembro de 1344
O livro que Maxwell ganhou quando era criança também falava sobre o famoso Eron Dragon, que teve uma pequena parte de seu sangue preservada em um cálice, cálice esse que estava numa caverna subterrânea, localizada na região de Avak. Maxwell tinha apenas catorze anos, mas foi sozinho mesmo assim até aquele lugar. Queria beber daquele sangue para herdar os poderes de Eron Dragon, mesmo sabendo que outros guerreiros já haviam tentado e fracassado.
Preparou-se: pegou uma bolsa com comida, plantas medicinais e suplementos, usou uma cabaça para guardar água, pegou sua adaga de caça e sua espada de combate. Preparou o cavalo para a viagem, e não se despediu de Leônidas naquele dia, pois ele também estava viajando em missão. De lá, Maxwell partiu com coragem.
Demorou uma semana para chegar em Avak, e mais uma para chegar à tal caverna subterrânea. Não demorou muito para entrar; acendeu uma tocha e começou a explorar o local. Não havia avisos nem pegadas humanas, apenas rastros de animais ferozes e rastejantes, teias de aranha por toda parte, marcas nas rochas que pareciam cortes de espada ou ataques de outros seres. Muitos córregos de água passavam por ali dentro, havia até um pequeno rio em seu interior. Também se encontravam pedaços de armadura e panos no chão, além de baús velhos com itens que já não tinham mais valor algum. Maxwell pensou: todos que vieram aqui deixaram alguma coisa, mas pelo visto não tiraram nada.
Continuou adentrando na caverna até ouvir barulhos estranhos, que pareciam ser de animais selvagens, mas ao se aproximar de onde o barulho ficava mais alto, viu que eram mutantes.
— Tenho certeza de que são mutantes! — exclamou Maxwell, empolgado e pronto para atacar. — Vou testar minhas habilidades!
Em questão de segundos, matou os poucos mutantes que estavam ali dentro — para ele, parecia ser apenas um treino.
Assim que terminou com o último, viu que debaixo do rio subterrâneo vinha uma luz forte e poderosa, um flash de luz dourada que não parecia estar distante. Maxwell pulou na água sem pensar duas vezes, mergulhou no rio e seguiu a luz — era um bom nadador e mergulhador, então foi fácil chegar até onde ela surgia. Seguiu até um paredão de rochas e estalactites; havia apenas uma brecha para passar. Já não tinha mais dúvidas: era ali dentro que o cálice estava, e agora entendia por que ninguém tinha conseguido pegá-lo.
Maxwell sabia que só havia um jeito de entrar: na força bruta. Usou toda a força que tinha para quebrar aquele paredão de estalactites, o fôlego estava acabando, a força estava acabando, mas mesmo assim conseguiu quebrá-lo, com muito sacrifício. A pressão da água do rio empurrou Maxwell para dentro da sala secreta; muita água entrava ali junto com ele, mas ele nem reparou no lugar, só tinha olhos para o cálice, que estava bem à sua frente, brilhando e transmitindo uma forte onda de energia. A magia transmitida por aquele sangue fazia os olhos de Maxwell lacrimejarem, mas ele precisava ser rápido, ou a água inundaria tudo e todo o esforço teria sido em vão. Pegou o cálice e bebeu o sangue de uma vez, no último segundo antes de a água cobrir seu corpo.
Já tinha perdido as forças, não conseguia nem nadar direito, e por um segundo pensou que morreria ali, afogado, sem ter realizado seu sonho ou descoberto do que seria capaz com aquele poder. Mas, quando tudo parecia perdido, direto dos céus um anjo apareceu, mergulhou naquelas águas escuras, segurou o braço de Maxwell e o levou até a superfície.
Maxwell foi acordando, um pouco desorientado, sem entender como tinha chegado ali — só sabia que havia sido salvo, mas não sabia como. O anjo estava à sua frente, esperando que ele acordasse por completo para então conversarem. Assim que despertou, sentiu uma forte dor de cabeça e disse ao anjo:
— Eu não sei quem é você, mas tive sorte de você estar por perto. Sou grato por ter me salvado.
O anjo respondeu:
— As estrelas do universo não permitem que os heróis morram tão cedo. Você precisa viver