Prólogo: O Sussurro nas Sombras
Em Draemora, terras divididas entre luz e trevas, histórias antigas falavam de entidades que protegiam os véus entre mundos. Mas com o tempo, os nomes se apagaram, os mitos se tornaram fábulas, e o que era vigília transformou-se em esquecimento.
No entanto, o que dorme não desaparece.
Apenas aguarda.
Quando os véus começam a rasgar e os sussurros retornam às pedras antigas, um herdeiro é convocado.
Não por acaso.
Não por escolha.
Mas porque a semente de algo maior já repousava em seu sangue desde o primeiro suspiro.
Por séculos, os guardiões velaram em silêncio — entidades tecidas da mesma substância dos véus que protegiam, nem deuses nem mortais, mas algo anterior a ambos. Diziam os mais velhos de Draemora que quando o último guardião tombou, o mundo não tremeu nem chorou. Apenas... esqueceu. Como se a memória de sua existência fosse apagada página por página, até restar apenas o vazio onde um dia houve presença. E no vazio, as sombras encontraram passagem.
Mas o sangue guarda o que a memória abandona. Em aldeias distantes, crianças nasciam com sonhos que não lhes pertenciam. Mães acordavam no meio da noite sentindo cheiro de enxofre e pedra queimada. Velhos sábios murmuravam ao fogo nomes em línguas que ninguém mais ensinava e o fogo respondia. Os sinais sempre estiveram ali, espalhados como migalhas de um caminho que o tempo tentou apagar. Faltava apenas alguém capaz de segui-los até o fim.
Em noites sem lua, quando o vento fala em línguas esquecidas, ele sonha.
E no centro desses sonhos, ergue-se a figura de Nagashiel — o Guardião das Sete Faces.
Acorde, herdeiro.
O seu despertar, finalmente, começa agora.