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Nagashiel - O Guardião das Sete Faces · Prólogo: O Sussurro nas Sombras — Denis C. Oliveira

Por Denis C. Oliveira

Algo antigo está despertando. Em Draemora, onde memórias foram enterradas e os véus entre mundos começam a se rasgar, Kaelian descobre que não é apenas um jovem comum — ele é o herdeiro de um poder que jamais deveria retornar. Nagashiel… o Guardião das Sete Faces. Uma entidade feita de luz e sombra. Salvação e ruína. Verdade e destruição. Marcado por uma força que o consome por dentro, Kaelian é lançado em uma jornada sem volta, onde cada passo revela fragmentos de um passado esquecido — e de um futuro que pode condenar tudo o que existe. Enquanto vozes antigas sussurram e criaturas emergem das trevas, ele precisará enfrentar não apenas inimigos… mas as sete faces de si mesmo. Pois o verdadeiro perigo não está no que o persegue. Está no que desperta dentro dele. E quando o Guardião despertar por completo…não haverá retorno.

Prólogo: O Sussurro nas Sombras

Em Draemora, terras divididas entre luz e trevas, histórias antigas falavam de entidades que protegiam os véus entre mundos. Mas com o tempo, os nomes se apagaram, os mitos se tornaram fábulas, e o que era vigília transformou-se em esquecimento.

No entanto, o que dorme não desaparece.

Apenas aguarda.

Quando os véus começam a rasgar e os sussurros retornam às pedras antigas, um herdeiro é convocado.

Não por acaso.

Não por escolha.

Mas porque a semente de algo maior já repousava em seu sangue desde o primeiro suspiro.

Por séculos, os guardiões velaram em silêncio — entidades tecidas da mesma substância dos véus que protegiam, nem deuses nem mortais, mas algo anterior a ambos. Diziam os mais velhos de Draemora que quando o último guardião tombou, o mundo não tremeu nem chorou. Apenas... esqueceu. Como se a memória de sua existência fosse apagada página por página, até restar apenas o vazio onde um dia houve presença. E no vazio, as sombras encontraram passagem.

Mas o sangue guarda o que a memória abandona. Em aldeias distantes, crianças nasciam com sonhos que não lhes pertenciam. Mães acordavam no meio da noite sentindo cheiro de enxofre e pedra queimada. Velhos sábios murmuravam ao fogo nomes em línguas que ninguém mais ensinava e o fogo respondia. Os sinais sempre estiveram ali, espalhados como migalhas de um caminho que o tempo tentou apagar. Faltava apenas alguém capaz de segui-los até o fim.

Em noites sem lua, quando o vento fala em línguas esquecidas, ele sonha.

E no centro desses sonhos, ergue-se a figura de Nagashiel — o Guardião das Sete Faces.

Acorde, herdeiro.

O seu despertar, finalmente, começa agora.