Pular para o conteúdo

O elixir dos monges de mercúrio · Relatos de Arkmenys — Beatriz Costa

Por Beatriz Costa

Eles chamam de cura. Eles chamam de evolução. Mas quem bebe do elixir esquece até o som do próprio nome. Este é um fragmento recuperado antes da Grande Névoa. Leia por sua conta e risco, antes que... eles saibam que você o encontrou.

Relatos de Arkmenys

A primeira regra da Cidade da Evolução é esquecer o ontem. A segunda é sorrir para as câmeras.

Lembro-me vagamente de quando as ruas deste lugar cheiravam a terra molhada e a pão fresco. Hoje, o único aroma que permeia as praças é o do Elixir fumegante que os Monges de Mercúrio distribuem na praça central. Eles dizem que purifica a alma e que blinda nossos corpos contra a doença da pedra negra. Mas meu irmão bebeu três doses na semana passada. Ontem, quando tentei tocar em sua mão, ela não cedeu como carne; estava estranhamente lisa e maleável, parecendo um plástico quente ou uma pele de boneca. Contudo, o pior não é vê-los ficar diferentes por fora. É vê-los sorrirem enquanto isso acontece, repetindo as palavras dos Reis como marionetes sem cordas.

Se você está lendo isto e ainda consegue sentir o calor do seu próprio sangue correndo nas veias: fuja para as fronteiras. Não olhe para as luzes dos festivais. E, pelo amor do deus antigo, nunca aceite um frasco prateado das mãos de um monge.