O amor se sacrificou
Pois aqueles que mataram a Justiça
Também condenaram os filhos dela.
E o mundo, que tanto clama por clemência,
Fecha os olhos à dor que se revela.
Pensamos que, ao acordar, nada temos a buscar,
Enquanto a mente se infla de pensamentos a descartar.
Mas nos apegamos àquilo que nos conduz à destruição,
Destruindo a força, a união e a cooperação.
Preferimos alimentar um ego ancestral,
Que nos acompanha dia e noite, seja para o bem ou para o mal.
E, mesmo sem entender o porquê de tanta aflição,
Deixamos que o orgulho governe o coração.
Muitas questões nos atingem como flechas,
Mas preferimos ignorar nossas próprias queixas.
Pois questionar aquilo que nos causa sofrimento
Exigiria coragem, razão e entendimento.
Enfrentar o mundo não é fácil quando ele é seu amigo,
Mas mais difícil é aceitá-lo quando se torna seu inimigo.
Porque os dias passam, e começamos a perceber
Que a escuridão tomou os lares sem ninguém compreender.
De uma ponta a outra, de lá até cá,
Por todas as ruas que ousamos atravessar,
Encontramos corações manchados pela indiferença,
Onde o amor se perde em meio à descrença.
E suas riquezas já não me interessam,
Pois suas próprias palavras me confessam:
''Eu não me importo com você,
Só me importo comigo.
E, se posso me favorecer,
Por que não fazer do próximo um instrumento ou um abrigo?''
Mas não deveríamos trabalhar em cooperação?
Por que transformamos o próximo em objeto de exploração?
Alguns procuram impressionar, outros desejam enganar,
Enquanto poucos ainda se dispõem a ajudar.
Por que ignoramos aqueles que vivem oprimidos,
Quando somos, tantas vezes, os mais corrompidos?
Escondemos nossos rostos atrás de falsas máscaras felizes,
Temendo que alguém descubra a podridão de nossas raízes.
E o tempo passará, sem que tenhamos compreendido
Que a verdade nunca desejou permanecer no esquecimento vazio.
Ela espera ser encontrada pela razão,
Não apenas pela emoção, mas também pelo coração.
Pois o nosso livre-arbítrio se renova a cada dia,
E não podemos fazer do passado uma eterna companhia.
Não devemos culpar somente aquilo que um dia fomos,
Quando ainda podemos escolher os caminhos que tomamos.
Mas houve Alguém que morreu por nós,
Sobre uma imensa cruz, entre espinhos e dor.
Seu sangue escorreu no silêncio de uma tarde sombria,
Enquanto o mundo testemunhava o sacrifício do Amor.
E pensar naquela coroa de espinhos me causa calafrios,
Naquelas mãos feridas, naquele corpo entregue ao frio.
Pois, mesmo diante de tamanho sofrimento,
Ainda nos esquecemos Dele a cada momento.
Esquecemos, dia e noite, Daquele que nos criou,
E, mesmo quando morreu por nós, duvidamos de quem nos salvou.
Pensamos que a salvação nasce da nossa própria luz,
Esquecendo o caminho que nos foi mostrado pela cruz.
Procuramos respostas em caminhos diversos,
Em promessas dispersas e sentidos controversos.
Buscamos uma luz que nos conduza à direção,
Mas nem toda luz que brilha nos conduz à salvação.
E o que posso dizer, se já não sei como crer
Num mundo tão cruel com Quem só soube amar?
Para quem recebeu o amor e o transformou em dor,
E você fez da própria ingratidão uma maneira de condenar.
Pois, quando esquecemos o que um coração apaixonado é capaz de fazer,
Começamos a acreditar que já não precisamos aprender.
Inventamos nossas próprias paixões, nossas próprias razões,
E fazemos da escuridão o abrigo de nossas ilusões.
Mas uma paixão nascida apenas da vaidade e da ambição
Não poderá nos conduzir senão à própria condenação.
Pois aqueles que mataram a Justiça e rejeitaram seu amor
Continuam ferindo seus filhos, perpetuando a mesma dor.
E talvez a maior tristeza não seja a escuridão que nos rodeia,
Mas a escolha de permanecer nela, mesmo quando a luz ainda clareia.
Porque o Amor não deixou de existir quando foi crucificado.
Foi o coração dos homens... que escolheu viver afastado.