O INÍCIO DA SEPARAÇÃO
Em um reino onde diversas espécies viviam lado a lado, existia um mundo repleto de magia e mistérios. Vampiros, anjos, demônios, elfos, lobos, dragões e tantas outras criaturas compartilhavam o mesmo território, cada uma com suas próprias habilidades, costumes e crenças.
Apesar de suas diferenças, todas viviam sob as mesmas leis. Havia regras que jamais poderiam ser quebradas, e a mais importante de todas era simples:
Nenhuma espécie poderia tirar a vida de outra.
Por séculos, essa lei manteve a paz entre os povos. Até que um dia, a ganância de um único indivíduo mudou tudo.
Um vampiro comum, sedento por poder e pela promessa de uma imortalidade ainda maior, cometeu o impensável: assassinou um anjo celeste.
E, naquele instante, a paz que havia sustentado o reino por tantas gerações começou a desmoronar.
O medo se espalhou como uma doença. Se um vampiro havia sido capaz de matar um anjo celeste, o que impediria os outros de fazerem o mesmo? Se aquela lei havia sido quebrada uma vez, por que não poderia ser quebrada novamente?
Um demônio poderia atacar um vampiro. Um lobo poderia caçar um elfo. Um dragão poderia voltar suas chamas contra os próprios Guardiões.
A confiança desapareceu, dando lugar à desconfiança, ao ódio e ao desejo de vingança. Ninguém mais se sentia seguro ao lado daqueles que, até pouco tempo antes, eram considerados aliados.
O reino, antes unido por suas diferenças, tornou-se um campo de incertezas.
Rebeliões começaram a surgir. Povos inteiros exigiam o fim da convivência entre as espécies, enquanto outros temiam que a separação fosse apenas o primeiro passo para uma guerra sem precedentes.
Diante do caos, os Superiores - as maiores autoridades de todos os povos - reuniram-se para tomar uma decisão. Após longas discussões, chegaram a um veredito que mudaria para sempre o destino daquele mundo.
Os reinos seriam separados.
Territórios foram divididos, fronteiras foram erguidas e cada espécie foi enviada para o seu próprio domínio. O que antes era um único reino transformou-se em vários, separados não apenas por terras, mas também pelo medo e pela desconfiança.
E, para garantir que aquela separação jamais fosse desfeita, novas leis foram estabelecidas. Mais severas. Mais cruéis. Praticamente inquebráveis.
Primeira lei: jamais ultrapassar as fronteiras de outro reino.
Segunda lei: nenhum contato com espécies de outros territórios.
Terceira lei: qualquer indivíduo que desafiasse as leis seria condenado à morte.
Não haveria exceções. Não haveria perdão. Não haveria uma segunda chance.
Os Superiores acreditavam ter encontrado a solução para impedir que a história se repetisse. Acreditavam que, ao separar os povos, poderiam finalmente devolver a paz ao mundo.
Mas talvez estivessem enganados.
Porque, quando o medo se transforma em lei, a paz pode se tornar apenas uma prisão disfarçada.
E, entre fronteiras proibidas, segredos esquecidos e verdades enterradas pelo tempo, uma pergunta continuava sem resposta:
Se todas as espécies nasceram para compartilhar o mesmo mundo, quem lhes deu o direito de decidir que deveriam viver separadas?
Será que alguém seguirá as leis? Ou será que quebrara todas para encontrar a felicidade e paz?
Continua...