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ROSALINA · Alma e karma — Priscila Roseane

Por Priscila Roseane

Rosalina é uma mulher comum, cheia de desejos e medos. Ela acorda em uma manhã de domingo e decide pedir o divórcio. Não cabe mais no jeans 36, tampouco na casa alugada que vive a mais de dez anos. Precisa agora redescobrir a vida sob uma nova ótica, embora sinta estranheza ao olhar para si mesma depois de tantos anos. Prosa poética sobre se reconectar com seus próprios sentimentos, feminilidade e coragem de olhar para dentro.

Alma e karma

Às vezes tento entender minha vida. Mas existem muitas sombras e já quase não é possível ver o início.

Quando tudo era escuridão, silêncio, quando me retorcia dentro de minha própria pele tentando encontrar a forma final, parecia haver esperança.

O suor nos lençóis, sangue pelo nariz, olhos e boca. Eu era toda feridas e feridas. E isso me fazia sonhar. Sonhava com o mundo que havia sob a casca. Com o universo que renasceria das entranhas da dor, belo, justo e admirável. Todas as mazelas dariam lugar a uma vida de luz. Festins cairiam dos céus, brindes se fariam a nossa glória e a escuridão dissiparia, como o amanhecer após a longa noite de expurgo.

Bebo outra dose.

Permito que desça amarga na garganta, apenas para sentir mais uma e outra vez o que é estar viva.

Fecho os olhos, mas não há nada do outro lado das pálpebras. Só escuridão. Sombras em minha alma.

Encaro meus demônios.

Eles me tomam pelas mãos e apontam o caminho.

Sigo, pois não há nada mais que se possa fazer para salvar minha alma quebrada.

Me visto. Respiro. Olho para o rosto no espelho.

E saio pela porta.