Alma e karma
Às vezes tento entender minha vida. Mas existem muitas sombras e já quase não é possível ver o início.
Quando tudo era escuridão, silêncio, quando me retorcia dentro de minha própria pele tentando encontrar a forma final, parecia haver esperança.
O suor nos lençóis, sangue pelo nariz, olhos e boca. Eu era toda feridas e feridas. E isso me fazia sonhar. Sonhava com o mundo que havia sob a casca. Com o universo que renasceria das entranhas da dor, belo, justo e admirável. Todas as mazelas dariam lugar a uma vida de luz. Festins cairiam dos céus, brindes se fariam a nossa glória e a escuridão dissiparia, como o amanhecer após a longa noite de expurgo.
Bebo outra dose.
Permito que desça amarga na garganta, apenas para sentir mais uma e outra vez o que é estar viva.
Fecho os olhos, mas não há nada do outro lado das pálpebras. Só escuridão. Sombras em minha alma.
Encaro meus demônios.
Eles me tomam pelas mãos e apontam o caminho.
Sigo, pois não há nada mais que se possa fazer para salvar minha alma quebrada.
Me visto. Respiro. Olho para o rosto no espelho.
E saio pela porta.