Pular para o conteúdo

Segredos de Tereza Pinheiro - O DIÁRIO · Capítulo 1: O Diário Misterioso — Herculano Mota

Por Herculano Mota

Entre o zumbido das conversas na sala de espera repleta de pacientes ansiosos, a rotina de uma clínica odontológica parece previsível e mecânica. No entanto, para Tereza Pinheiro, secretária e peça-chave daquele ambiente, os dias guardam muito mais do que agendamentos e fichas médicas. Enquanto a recepção transita entre o tédio e a pressa, Tereza dedica seus momentos de folga, e até mesmo as brechas entre um paciente e outro, a preencher as páginas de seu misterioso diário. Com traços firmes e um olhar atento que tudo observa, ela transforma a calmaria aparente do consultório em um observatório de comportamentos humanos. O problema é que o hábito de Tereza não passa despercebido. Entre um sorriso amarelo e uma dor de dente aliviada, pacientes e até mesmo a equipe médica começam a ser tomados por uma curiosidade obsessiva: o que afinal Tereza escreve com tanta devoção? Seriam simples anotações do cotidiano, crônicas sobre os frequentadores da clínica ou segredos profundos que revelam a verdadeira face de quem passa por ali? Em Segredos de Tereza Pinheiro, O Diário, o leitor é convidado a decifrar os mistérios de uma rotina aparentemente comum, onde cada página virada pode expor verdades que muitos prefeririam manter escondidas na sala de espera.

Capítulo 1: O Diário Misterioso

Tereza Pinheiro é uma mulher que não passa despercebida em nenhum lugar, tem presença, chama a atenção mesmo! Sua beleza singular está no sorriso espontâneo, perfeito, todo simétrico. Olhos castanhos que, ao olhar para você, parecem penetrar na sua alma, cabelos volumosos abaixo dos ombros, pele pigmentada pela melanina abundante, um metro e noventa de altura, quando ela está de salto derrete corações com a elegância de seus passos, simpática, comunicativa, amável. É um verdadeiro íman para olhares.

Em uma movimentada clínica de odontologia de uma cidade que não irei informar, Tereza Pinheiro trabalhava como secretária, ou seja, quando não estava atendendo ligações estava sempre escrevendo, nas agendas dos dentistas, mas, também, tinha um tipo de diário de capa de couro azul bebê, que ela tanto escrevia nele, como guardava como se guarda um tesouro precioso. O diário foi percebido pela forma que ela interagia com ele, com as agendas ela era direta e objetiva, mas com o diário não, ela estava sempre com um ar de satisfação, às vezes sorrisos, outras olhava ao redor para ver se não havia ninguém a observando em sua arte com diário. Tereza em alguns momentos se tornava o centro das atenções na clínica, especialmente entre os pacientes. Homens e mulheres, todos compartilhavam a mesma curiosidade sobre o diário que Tereza sempre carregava consigo. Era uma rotina peculiar. Todos os dias, ao chegar à clínica, Tereza fazia anotações em seu diário, que era a fonte de seu mistério e o objeto de desejo de todos ao seu redor.

Os colegas de trabalho de Tereza não estavam imunes a essa curiosidade. Inês, uma dentista da clínica, frequentemente questionava: - O que tanto ela escreve lá? Sempre ficavam sem respostas. Os assistentes, Ricardo e Maria, também estavam intrigados. Eles não entendiam por que ela dedicava tanto tempo a esse diário, - deve ser terapia! Resmungou Maria certa vez.

Ao longo dos meses, a curiosidade dessas pessoas crescia. Os pacientes, que faziam seus tratamentos ortodônticos, e sempre faziam suas manutenções, percebiam que quando não estava atendendo ligações e agendando consultas, Tereza estava com aquele bendito diário. Alguns mais atrevidos, tentavam tirar alguma informação: - Moça, você é escritora? Está sempre rascunhando alguma coisa neste diário. Perguntavam tentando descobrir o conteúdo do diário, mas ela sempre desconversava, rindo de maneira sedutora e mudando de assunto. Os olhares e cochichos não passaram despercebidos por ela, que, com um toque sensual em seu comportamento, apenas alimentava o mistério.