A Caçada
Gray, aos dezoito anos de idade, lia um livro sobre criaturas que seus ancestrais já caçaram durante os duzentos anos de história. E na página dez do livro, lá estava ele: o ser misterioso que o seu antepassado nomeou como "Um licantropo" - ou lobisomem. Estão com os dois nomes divididos por um traço.
Um lobo que se alimentou de várias carcaças durante guerras e se alimentou de animais mágicos. Após tantos sangues diferentes consumidos, o seu corpo sofreu uma mutação. Se tornando maior, com a capacidade de andar sobre duas patas e se tornar um ser inteligente que usa estratégias de caça. Uma besta desenfreada que só quer caçar presas grandes e não liga muito para os fracos. Apenas os devora por não ter oponentes. Ele se autodenomina, na cadeia alimentar, como um super predador.
Em sua descrição falava que tinha aproximadamente três metros de altura. Uma carcaça com músculos, mas magra. Braços e pernas longas, o que permitia ele ser tanto bípede ou quadrúpede.
Com algumas palavras deixadas como aviso no final da página:
"Caso vocês encontrem alguma criatura dessas, você, como nosso descendente, deve eliminá-la imediatamente. É um ser que vive pela matança. Caça por hobby. Não liga em torturar e ama atrair adultos para a floresta após capturar crianças. E quando os pais chegarem, ele devora elas na sua frente, somente para ver o desespero do seu aperitivo, antes de devorá-lo também."
Gray adentra a floresta escura com os soldados que o seguiam. Aquele lugar estava em silêncio absoluto, como se a morte tivesse tomado o som da terra. Cada passo adentro era um alerta de perigo para eles. O monstro pode estar por perto, ou não. Mas mal sabiam que a criatura os observava em silêncio, na escuridão. A criatura sabe como caçar humanos. Ela já fez isso antes. Ao invés de aparecer, ela joga com a mente dos caçadores. O monstro atrai os caçadores com barulhos, até perto da carcaça do urso que estava cercada por alguns lobos. Cinco no total.
Assim que Gray avista os lobos, ele toma a frente novamente do grupo.
- Chega! Eu assumo daqui. Poupem suas forças para aquela coisa. Não baixem a guarda. Aquilo é muito inteligente.
Gray caminha em direção aos cinco lobos. Que, ao notá-lo, avançam em várias direções. Uma visão que poderia ser considerada sem escapatória.
Ele, sozinho, caminhando em direção àquelas bestas assassinas, parecia o cavaleiro da morte caminhando sobre o seu tapete branco brilhante, sob aquele luar. Segurando a bainha de sua espada, ele tira uma arma longa que brilhava com um prata lindo. E uns adornos dourados que pareciam ouro, mas era somente o brilho do aço que foi usado em sua forja.
Os dois primeiros lobos saltam sobre ele. Que, rapidamente, parte o da esquerda ao meio.
Enquanto cortava, deu para ouvir a espada pesada de duas mãos destruindo os ossos. O que assustou os demais. O segundo demorou um pouco a saltar. Vendo a cena, só conseguia arregalar os olhos amarelos, até ver que aquele homem soltou a espada e levou a mão ao seu crânio. O animal até tentou morder, mas com uma força assustadora Gray segurou ele pelo pescoço e cabeça e o arremessou no chão.
Ossos quebrando com o impacto. O animal gritava de dor, enquanto aquele humano crack, crack pisou novamente em seu pescoço, quebrando sua coluna e o deixando imóvel. Pegando a espada do chão, ele então enfiou a sua ponta no olho do lobo, o que a fez estalar nas pedras cobertas por neve.
A voz do pai dele veio, seca como na primeira caçada:
- Lobo que foge, volta com a matilha. Lobo que fica, morre com orgulho. Não dê tempo pra nenhum dos dois.
Os outros lobos, com medo, fogem assustados. Até mesmo os guerreiros que o seguiam nunca tinham visto tamanha habilidade de combate. Até arrepiaram. A criatura, analisando a situação, viu que os lobos estavam fugindo. Se moveu rápido entre as árvores, fazendo muito barulho. O que fez todos entrarem em guarda. Ela corria em direção aos lobos...
- O que aquela coisa está fazendo? resmungou Gray, colocando sua espada na bainha.
Sentindo o cheiro dos lobos, o licantropo continuou uma caça aos semelhantes, os assustando. Ele parecia uma sombra pairando na escuridão para os lobos. Que viam somente seu vulto entre as árvores. Os lobos, começando a se sentir encurralados, voltam correndo para a direção de Gray. Que se surpreende com a velocidade que estão vindo para o confrontar. E aquele velho ditado: animais encurralados se tornam mais perigosos. Sem perder tempo, com o cabo da espada ele faz uma alavanca para cima.
Sangue voa no ar como uma chuva leve e serena. O homem com a grande espada havia acabado de destruir a mandíbula do lobo das Neves que veio na frente. O barulho dos ossos se partindo e da espada afundando a mandíbula para dentro da cabeça foi nada mais que assustador.
Os outros lobos paralisam no meio do caminho. O humano na sua frente era aterrorizante. Seus instintos gritavam para fugir, mas estavam paralisados. Os arqueiros, sem pensar muito, puxam uma flecha cada e disparam em direção aos lobos com força máxima. As flechas percorrem o ar com um assobio e passam pelo lado dos dois ombros do Gray. Que, na visão dos animais, era a própria morte vindo levá-los. E foi exatamente isso que encontraram: um descanso. As flechas perfuram seus olhos, acertando o cérebro. Eles caem no mesmo lugar, sem nenhum movimento a mais de vida. Apenas alguns espasmos musculares por causa da adrenalina.
- Esse cachorrinho está brincando conosco
Resmunga, enquanto limpa sua espada.
Ele escuta um barulho imenso vindo das sombras. Instintivamente, ele pula para o lado direito, rolando na neve, após ver uma silhueta vindo. Um pedaço de tronco de árvore passa voando na direção dos cavaleiros que vieram com ele. Quase todos escapam, mas o arqueiro é atingido em cheio.
O tronco atravessa o peito do arqueiro, fazendo os ossos de suas costelas abrirem como uma flor nas suas costas. O matando instantaneamente. Arremessando ele a alguns metros junto ao objeto arremessado. O barulho do sangue escorrendo era o único que restava na floresta.
Ele lembra de sua última conversa com sua esposa.
Elena costurando o ombro dele em sua casa: "Você não vai voltar pra mim todo furado de novo, vai?" Ele tinha rido. Agora o buraco não era nele.
Mas logo esse silêncio se quebra. Ao fugirem do tronco, eles se separaram da guarda por um instante. O lobisomem ataca rapidamente, pulando e arrastando um dos cavaleiros que ficou afastado para a escuridão da floresta. Restando somente a tocha. O único barulho que foi feito, aparentemente, foi o monstro arrancando sua garganta no processo. Somente o sangue mostrava onde, em poucos segundos, havia um homem.
- Todos vocês, se reagrupem agora!
Diz o homem à frente do grupo.
- Aaaaaa! Me ajuda! Aaaaa!
O monstro agarrou a perna quebrada do outro arqueiro após saltar da escuridão. Ele arrasta o homem, com a fratura exposta, para dentro da floresta, antes que pudessem reagir para impedi-lo. Ficando o rastro de sangue, enquanto gritava em dor. Mas por satisfação em ver o desespero, ou por pura estratégia, aquela criatura não o matou. Apenas o leva e o coloca sobre um tronco de árvore, com a perna esquerda totalmente quebrada, sangrando muito. Em alguns minutos ele provavelmente vai morrer. Vários ossos saindo de sua pele, fazendo ele quase delirar de dor.
O grande homem se levanta, ouvindo aquela voz clamando por ajuda.
- Vocês quatro, voltem e protejam a vila. Os outros animais vão atacar ela, caso estejam próximos e ouçam essa coisa os amedrontar.
Um dos cavaleiros:
- Mas Gray, não podemos te deixar sozinho contra um licantropo.
Sacando sua espada de duas mãos da bainha em sua cintura e caminhando para a direção da voz pedindo ajuda.
- É uma ordem.
Ele lembra de seu filho
Zanther, naquela manhã, tentando levantar a espada de duas mãos, acima da cabeça e caindo de bunda na neve.
- Pai, ela é pesada demais!
- Não. Você que ainda tá leve demais.
Seu capitão desaparece na escuridão da floresta, como se fosse um fantasma se juntando à névoa.
Caminhando entre as árvores, o clamar de dor do homem cessa. Em uma ravina cercada por árvores está lá o soldado, agonizando em uma quase hipotermia. Quando seu líder deu um passo à frente, o lobo saltou sobre ele, direto até o arqueiro. Pegou o homem pelo pescoço, o levantando do chão. Suas garras começaram a se retrair e, lentamente, ele esmaga o crânio do guerreiro, amassando até seu capacete. O caldo escorre entre seus dedos. Sangue grosso que mistura com a pele. Ele faz um giro e arremessa o cadáver em Gray.
Com um movimento limpo, ele leva a mão direita na frente e segura o corpo sem vida, fincando sua espada no chão. Com um segundo movimento, coloca no chão. Rapidamente já se levanta, dá um chute em sua espada de duas mãos e já a segura no ar. Assumindo uma postura de batalha em direção àquela aberração.
O animal fica em modo quadrúpede e começa a rodeá-lo, com um rosnado áspero. Fumaça saindo de seu focinho como uma chaminé de um trem no inverno. Gray nem pisca. Sua respiração pesada, mas também lenta, como o mar antes da tempestade.
Os dois trocam olhares, sem ao menos piscar. Naquele momento, a neve começou a cair, mas o ambiente estava lento. Parecia que só existiam aqueles dois seres naquele vale imenso. Andando em círculos, ambos se estudando.
Um som estridente rompe o silêncio.
O licantropo fecha sua mandíbula, estalando como se fossem espadas batendo. E quando abre novamente aquela mandíbula imensa, ele solta um som estridente que transforma o silêncio em uma laceração. Que colocaria medo até mesmo no mais bravo guerreiro que ouvisse tal barulho.
A sua boca espalha a saliva pela neve, junto com sangue de suas presas. O animal de três metros, com sua boca aberta, pelos marrons que cintilavam com a brisa. Levando uma para a direita, depois a esquerda, deixando pegadas de sangue na neve. O ser horrendo começa a se mover na direção do bravo homem, lentamente.
Em contrapartida, ao olhar para a besta, aquele reles cavaleiro apenas assume uma postura mais relaxada.
Respira fundo.
Começa a levantar seu braço lentamente, com a espada a erguendo em direção ao peito, com a lâmina para cima, até ficar centralizada ao seu centro. Leva sua mão direita ao cabo, agora usando a empunhadura única com as duas mãos. Ele flexiona os joelhos e levanta seus braços, apontando a ponta da lâmina em direção àquele demônio em forma animal.
"Em algumas canções de bardos pelo mundo, dizem que quando o cavaleiro está no ápice de seu medo, enfrentando aquilo que parece impossível, por mais que seu peito pese e seus instintos gritem, ele enfrentará até mesmo o fim do mundo. Pelo menos é isso que dizem que acontece com as espadas esquecidas do norte."
O monstro dispara em direção ao Gray como um trem desgovernado. A neve explodindo para os lados por onde ele passa, como um turbilhão.
Latindo, e com a boca fechando e abrindo ferozmente.
O humano avança. Com medo, mas sua bravura nunca deixaria isso o impedir. Ele vai rápido. Uma velocidade quase comparável à besta quadrúpede.
A neve que entra em contato com sua pele vai derretendo, à medida que avança, mostrando que seu sangue está fervendo.
- ROoAA
O monstro abre a mandíbula enorme e se prepara para matar o caçador.
- AAAA
Apertando firme o punho da espada.
As garras batem na armadura, estralando feito metal. Até quebrando algumas garras. Mas também perfurando e rachando a ombreira da carapaça metálica. Gray acerta o ombro com a ponta da espada. E a carne afunda para dentro, até sair na direção contrária. Ossos se partem. A carne jorra sangue para todos os lados. Articulações e tendões dilaceram com o impacto, juntamente com a ombreira de Gray. Sem deixar o animal reagir, faz um pêndulo, se apoiando com os ombros embaixo da barriga do animal e o arremessa ao contrário, o jogando no chão.
Sem alarde. A besta mal bateu no chão e, em um piscar de olhos, se lança em Gray novamente. Dessa vez ela tenta morder seu rosto.
Desviando no último segundo da mordida e avançando com o braço na região do cotovelo, abraçando o pescoço do monstro, ele o derruba. Mas com um movimento repentino, o animal passa as duas patas traseiras no peitoral do humano e o arremessa a nove metros, arrebentando galhos e arbustos secos. Sangue espalhando para todos os lados de ambos, parecendo uma dança que pintaria a neve branca em uma bela rosa vermelha.
Se levantando a uma distância considerável, ele dispara em direção à criatura.
Sem perda de tempo, vendo sua presa vindo ao seu encontro, também dispara em sua direção. Com o braço ferido, a espada ainda está lá, atravessada como uma lança velha em uma árvore fina. O monstro não tem escolha além de ir, rapidamente, levantando em forma bípede, mas sem nenhuma perda de velocidade. O caçador se lança por baixo das pernas do monstro, de joelho na neve, em direção ao arqueiro morto, enquanto quase é acertado pelas garras imensas na investida feroz da besta. Suas garras passam a centímetros de seu rosto. Sentindo o vento, até mesmo algumas fagulhas de terra e sangue batendo em seu rosto.
Ao chegar no corpo, ele passa a mão nas costas do cadáver e pega uma adaga média de trinta e oito centímetros.
Afiada como um bisturi.
O vento estreita e vem um baque em sua lateral direita. O licantropo acertou suas costelas em cheio. Em meio segundo, ele é arremessado para a esquerda, quebrando uma árvore seca ao meio e rasgando sua armadura. O sangue desce como água.
Quatro cortes de seis centímetros.
Memórias de seu avô vem a mente.
o ensinando aos 15 anos, encostado na forja: "Costela quebrada dói pra respirar, mas não te mata. O que mata é o pânico. Então respira fundo e continua."
Mostrando a última camada de músculo na frente dos ossos. Uma de suas costelas quase fraturou com o impacto.
Sem tempo para se recompor, ele se levanta rápido. Apenas para o ser da noite pular em sua cintura. E junto dele, os dois serem lançados mais dez metros para frente.
Quando Gray sente o impacto, antes deles tocarem o chão, agarra os pelos e pele no monstro, firme, até que quase os arranca na força bruta. Sentindo até mesmo as suas mãos começando a rasgar aquele tecido. Ele pega a adaga e começa a desferir golpes no tórax, conseguindo acertar dois enquanto estavam no ar. E com o impacto do chão, ele acerta mais três. Um na clavícula, que deixa sua espada bamba, e pinta a neve de vermelho vivo. Outro no estômago, que faz o animal gritar de raiva.
Quando o animal agarra ele pelo braço que segurava seu peito, ele enfia a adaga profundamente naquele braço peludo. E leva sua mão até a espada, segurando firme.
O bicho não o solta, fazendo força com suas garras. Ele rasga o braço, mas graças à armadura somente sua pele foi arrancada. E algumas lacerações que sangram bastante, graças à vascularização do braço. Após isso, ele segura o membro do humano, o jogando para trás, tentando se livrar da proximidade.
Os dois estão a quatro metros um do outro. O lobisomem está com uma perfuração no estômago que está vazando feito uma torneira.
E seu braço direito já era. Está quase decepado. Em fração de alguns segundos, ele já arrancou a adaga de seu braço, mordendo ela e a cuspindo. O sangue voando feito chuva durante o movimento. E já avança contra o cavaleiro.
Gray começou a repelir os ataques do braço esquerdo do monstro, rapidamente, após se levantar. Destruindo algumas de suas garras no processo, mas também está acabando com sua espada. Em um movimento de descuido, o lobo morde o braço machucado dele. Em um movimento de serra, ele quebra e arranca a carne, deixando somente os ossos à mostra. E o sangue mancha o chão, roupas e até o próprio licantropo de vermelho. O monstro levanta seu pescoço em arcos, enquanto cuspia o pedaço do braço de Gray para longe. Mas sente um baque duro na sua lateral da mandíbula.
Sua boca foi completamente destruída pelo cabo lateral da espada, despedaçando seus ossos e quebrando seus dentes. Quase um nocaute. A visão do animal fica turva e ele cai no chão, atordoado.
O cavaleiro para em pé, se apoiando sobre a espada. Muito castigado com a disputa, com sangue quente escorrendo a cada instante. Seu braço, com tendões e articulações, jogando sangue sem parar. Sem forças, ele se joga contra o animal no chão. A espada era muito pesada, então ele deixa ela para trás. Ele bate em cima do animal, que somente geme com o impacto. Ele usa seu braço esquerdo, que ainda funciona, para agarrar com força o osso da região aberta do ombro do licantropo. O barulho feito enquanto ele puxava o osso para fora da carne do braço era ríspido. Se ouvia a carne e os músculos se soltando, rasgando o tecido e saindo para fora, com sangue voando para todos os lados. O monstro se debatia e tentava cortar Gray com suas garras, mas ele o derrubou em cima do próprio braço bom e caiu sobre suas costas. Usando o osso, Gray levanta sua mão alto e o finca com força no olho esquerdo do licantropo. O barulho da órbita explodindo com o impacto parecia uma bolha de água explodindo.
O caçador continua forçando o osso no buraco do olho do monstro, até sair do outro lado. O animal já não tinha mais forças para sair. Somente chiava um grunhido de desespero.
- Morreeeeeeee
Após o osso atravessar de um olho ao outro, Gray, com dificuldade, solta o osso e se levanta, apoiando em seus joelhos. Com dificuldade, notando que sua perna tinha vários estilhaços de madeira e lacerações do chão. Ele fica em pé e vai até sua espada, ofegante e perdendo sangue.
O lobo imenso se move atrás dele, somente com o olfato e todo desfigurado. O barulho do sangue caindo, enquanto ele se levanta, era nítido. Gray estava ouvindo.
Segurando o cabo da espada com toda a força que lhe restava, ele a arranca do chão em um estralo seco da rocha se partindo na sua saída. E, em forma de um arco, a ação às suas costas, com muita velocidade.
Nesse meio tempo, o lobo tentou, com seu braço bom levantado a 90°, atacar a coluna de Gray. Mas a espada era longa.
Em sua descida, esmagou o crânio do lobo, o sangue do monstro vazava entre sua lâmina. Sua boca se partiu ao meio e foi arremessado de volta ao solo com um baque.
Que parecia o barulho de arremessar uma grande pedra em um líquido viscoso.
Caminhando cambaleando, ele vai até uma árvore a alguns metros. Tudo parece pesado: a armadura, as peles, a neve, a respiração. Ele leva sua mão esquerda até a capa e rasga uma parte da pele com os dentes. Um pedaço longo. Com muita dificuldade, apoiando na árvore, se senta, escorrendo nela. Ele olha para seu braço. Seu osso à mostra, praticamente não tinha mais tecido no seu antebraço. Ele leva a tira de pele até o ombro do braço ferido e dá duas voltas. Leva uma das pontas até sua boca e puxa um lado com a mão e outro com a boca, para estancar o sangramento. Ele usa sua mão boa para amarrar.
A neve está fria, mas parou de chover flocos também. Ele sente seus olhos pesados, mas tentando se manter acordado. Sua respiração está péssima e a dor começou a aparecer. Insuportável. Não conseguindo evitar, lágrimas escorreram de seus olhos.
- Crack. Crack.
Alguns galhos se quebram atrás da árvore que ele está.