Prólogo
A vida é imprevisível, e é isso que a torna tão especial. Dormimos sem saber se vamos acordar, saímos sem saber se voltaremos. Por isso, cada dia é uma dádiva — mesmo que seja um dia de merda.
Mas nos tornamos insensíveis a essa dádiva, até que algo nos lembre.
Eu percebi os estímulos ruins existentes à minha volta, sutis e constantes. Que com o tempo, se tornaram apenas normais. Cheguei a me questionar se eram ruins mesmo, ou se o problema estava em mim. Na forma como me relaciono com o mundo.
Foi na leitura que encontrei uma maneira de escapar disso. Dizem que ler abre a mente, expande nossa visão de mundo e faz maravilhas pelo nosso cérebro. Cria novos circuitos neurais, fortalece a plasticidade cerebral, estimula a empatia e até reduz o estresse.
Bom, a parte do estresse definitivamente não funciona comigo, porque eu sempre me estresso com alguma atitude de personagem. Mas apesar disso, sempre gostei de ler. O cheiro, as páginas, escolher o próximo livro — tudo me tira da realidade e me faz imaginar.
É assim que cada leitor cria seu próprio universo.
O problema é que os livros me tiram tanto da realidade que ela nunca é boa o bastante pra mim. Está sempre faltando algo. Não tem magia, vampiros, lobisomens, feéricos, nem aqueles romances épicos. Não tem finais felizes. Porque a vida não acaba quando a história termina.
Mas, sério, o que vem depois daquele final feliz?
A realidade é dura. Um momento feliz e vários ruins. Uma montanha-russa de sentimentos.
Mas é a vida. E precisamos ser felizes dentro disso. Em pequenos momentos cumulativos.
Vendo de forma racional e sincera, eu até que sou feliz. Gosto da minha vida e da rotina que construí. Mas falta algo. Um “a mais”.
Fico me perguntando se foi por isso que me permiti viver tudo.
Eu queria tanto viver um bom livro, que vivi. Eu só esqueci de deixar claro pro universo o gênero do livro.
Bem-vindo à minha história.
Eu sou Clara Sullivan.