Rostos que o vento levou — Beatriz Costa
Por Beatriz Costa
A névoa bate forte na janela da frente e o som dos festivais na capital ainda ecoa de longe, mas aqui na beirada da estrada de terra o silêncio é pesado. O meu marido foi fechar o portão cinco minutos atrás e até agora não voltou. A porta ficou destrancada, o lampião ficou aceso e a janta já esfriou na mesa... Tem algo andando lá fora, na neblina, sem fazer barulho nenhum. Se alguém achar isso aqui amanhã... por favor, não venha atrás da gente.