Pular para o conteúdo

Sofia a escolhida · capitulo 4 sofia o principe gostou de voce — joaovictorgazola114@gmail.com

Por joaovictorgazola114@gmail.com

capitulo 4 sofia o principe gostou de voce

Sofia olhou para a mão estendida do Príncipe Henry, engolindo o choro com esforço. Ela colocou sua mãozinha trêmula sobre a dele, sentindo o aperto firme e seguro do herdeiro do trono.

— O-obrigada, Alteza... — Sofia sussurrou, a voz trêmula de vergonha.

Henry a puxou para cima com extrema delicadeza, ajudando-a a firmar os pés no chão de mármore e garantindo que ela estivesse equilibrada antes de soltá-la. Ele permaneceu ao lado dela, como um escudo protetor contra os olhares maldosos do salão.

Ao mesmo tempo, quebrando qualquer protocolo real, Marlee saiu correndo da fila para acudir a amiga. Ela se ajoelhou ao lado de Sofia bem no momento em que a garota se erguia, ajudando a ajeitar as camadas desalinhadas do vestido dela e segurando-a firme pelos ombros.

— Você está bem? Se machucou? — Marlee perguntou com a voz carregada de preocupação, examinando os braços e o tornozelo de Sofia para garantir que a queda não tivesse causado nenhum ferimento sério.

Sofia apenas balançou a cabeça negativamente, com os olhos fixos no chão, ainda mortificada de vergonha. Marlee então se levantou, mantendo um braço protetor ao redor da cintura da menina de 15 anos, e lançou um olhar mortal na direção de Celeste.

Celeste, por sua vez, deu um passo para trás, cruzando os braços com um sorriso de desdém e mantendo sua postura de superioridade impecável, como se nada tivesse acontecido.

— Senhoritas, basta! — a voz da Rainha Amberly ecoou pelo salão. Não era uma voz alta, mas tinha uma autoridade tão cortante que fez o ambiente congelar na mesma hora.

O silêncio voltou a reinar no grande salão de Angeles, enquanto todos aguardavam a reação da rainha e do príncipe diante daquele momento tenso.

A Rainha Amberly deu dois passos à frente, descendo os pequenos degraus do trono com uma elegância rígida. Seu olhar, que antes transbordava doçura, agora estava frio e focado inteiramente em Celeste.

— Senhorita Celeste — a voz da rainha cortou o silêncio do salão como uma lâmina de gelo. — O palácio de Iléia preza pela graça, pelo respeito e pela união. Empurrar uma concorrente e, pior, tentar humilhá-la publicamente para inflar o próprio ego não reflete o comportamento de uma futura soberana. Reflete apenas pequenez.

Celeste desfez o sorriso de desdém na mesma hora. O rosto dela empalideceu e a postura arrogante murchou diante de todo o salão.

— Majestade, eu... foi apenas um acidente, eu não a vi... — Celeste gaguejou, tentando recuperar a compostura milimétricamente calculada, mas a rainha ergueu a mão, interrompendo-a imediatamente.

— Não insulte a nossa inteligência, senhorita. Todos nós vimos o que aconteceu — continuou a Rainha Amberly, mantendo o tom firme e sereno, sem precisar gritar para demonstrar sua autoridade. — A realeza se define pela forma como tratamos os mais vulneráveis, e não como tentamos derrubá-los. Espero que use o tempo em seus aposentos hoje à noite para refletir se realmente tem o que é necessário para estar aqui. Pode se retirar da fila.

Humilhada diante do Príncipe Henry, dos cavalheiros e de todas as outras selecionadas, Celeste engoliu em seco, fez uma reverência apressada e saiu do salão de cabeça baixa, pisando duro com seus saltos altos.

A rainha então se virou para Sofia e Marlee, e seu rosto suavizou instantaneamente.

— Senhorita Marlee, sua lealdade e cuidado com sua amiga são admiráveis — elogiou Amberly, fazendo Marlee abrir um sorriso aliviado. — E querida Sofia, espero que este início turbulento não tire o seu brilho. Você demonstrou muita dignidade.

Sofia, ainda com o braço apoiado em Marlee, sentiu o coração finalmente se acalmar. Ela sorriu para a rainha, grata por não estar mais sozinha naquele momento.

Com as outras selecionadas sendo conduzidas para fora pelos guardas, o grande salão começou a esvaziar. O Príncipe Henry fez um leve aceno com a cabeça para os seus cavalheiros da guarda, indicando que ficassem recuados perto das portas, e caminhou com passos firmes e calmos na direção de Sofia e Marlee.

— Senhoritas, por favor, fiquem mais um momento — pediu Henry. A voz dele perdeu o tom formal de discurso e ganhou aquela nuance polida, mas genuinamente curiosa, típica da realeza de Iléia.

Sofia deu um meio passo para trás, tentando se camuflar novamente atrás da amiga. O coração parecia uma bateria no peito de tanta timidez, e suas bochechas ganharam um tom carmim vivo. Marlee, embora visivelmente deslumbrada por ter o herdeiro do trono tão perto, manteve-se firme ao lado da mais nova e as duas fizeram uma reverência coordenada.

— Quero pedir desculpas em nome do palácio pelo comportamento inaceitável da senhorita Celeste — Henry começou, direcionando aqueles olhos atentos primeiro para Sofia. — A Seleção é uma competição, mas minha mãe e eu prezamos pelas regras de convivência da corte. Nenhuma jovem deveria passar por isso, muito menos no primeiro dia.

— N-não se preocupe, Alteza... — Sofia murmurou, os nós dos dedos apertando o tecido do vestido azul-claro, sem conseguir sustentá-la nos olhos dele por mais de dois segundos. — Eu só... peço desculpas pela cena. Não queria parecer tão desajeitada na frente da rainha.

Henry soltou uma risada baixa, um som contido e perfeitamente educado que ecoou pelo teto alto do salão, desarmando o pânico da garota.

— A senhorita não foi desajeitada. Foi vítima de uma tremenda falta de modos alheia. Minha mãe ficou encantada com sua sinceridade sobre a música, e eu garanto que o tombo não apagou isso — Henry então voltou a atenção para Marlee, examinando-a com um brilho de real aprovação. — E a senhorita demonstrou uma lealdade admirável. Poucas pessoas ousariam quebrar o protocolo real diante de toda a corte e das câmeras do Jornal Oficial para amparar uma amiga. É uma qualidade rara por aqui.

Marlee abriu um sorriso largo, os olhos brilhando com aquela vivacidade natural da casta quatro que parecia iluminar o ambiente.

— Obrigada, Alteza. Mas eu não podia ficar paralisada vendo a Sofia no chão por causa daquela... daquela injustiça — Marlee controlou a língua na última hora, lembrando-se de onde estava. — Eu faria de novo. Cuidamos uma da outra.

— É bom saber que a senhorita Sofia tem uma guardiã tão entusiasmada — Henry sorriu de canto, parecendo secretamente divertido com a espontaneidade de Marlee, algo que contrastava com a rigidez habitual do palácio. — Agora, por favor, recomponham-se e sigam para os seus aposentos. O banquete de boas-vindas será servido em breve e quero vê-las recuperadas.

Ele fez uma inclinação de cabeça perfeitamente calculada e se retirou com seus cavalheiros, deixando um rastro de perfume caro e autoridade no ar.

Assim que as pesadas portas se fecharam, Marlee agarrou os braços de Sofia, os olhos arregalados, contendo um gritinho de empolgação.

— Sofia! Você tem noção do que acabou de acontecer?! O príncipe herdeiro veio falar com a gente! Ele é um cavalheiro completo... e aquele sorriso? — Marlee sussurrou, balançando a amiga de leve. — A demônia da Celeste tentou te derrubar e só conseguiu fazer você virar o centro das atenções do homem mais cobiçado do país!

Sofia finalmente soltou o ar que nem sabia que estava segurando, olhando para as próprias mãos, sentindo que a timidez de quinze anos ainda a sufocava, mas que, de alguma forma, o palácio de Iléia não parecia mais tão assustador quanto an