carta da Sofia ao leitor
Psiu! Sim, você mesmo aí segurando este livro. Dá para olhar em volta um segundo e fingir que está apenas checando as horas? Ótimo. Agora aproxima mais um pouco, porque o que tenho para te contar não pode chegar aos ouvidos do Conselho Real.
Primeiro de tudo: um aviso muito sincero. Se você abriu estas páginas esperando aquela história perfeita de conto de fadas politicamente correto, onde a princesa acorda com o cabelo impecável, canta com passarinhos e suspira de amor sem dar um único vexame… meu bem, você comprou o livro errado. Pode fechar e devolver para a estante agora mesmo. Eu juro que não vou me ofender! (Minto, vou sim, mas a gente finge que sou madura).
A verdade é que estamos no século XV, e a vida real no palácio não tem absolutamente nada de poética. O espartilho me espreme tanto que às vezes acho que meus órgãos mudaram de lugar, o protocolo real é um tédio de arrancar os cabelos, e a política de Iléa… ah, a política é um ninho de cobra usando joias caríssimas.
Eu sei, eu sei. Eu sou a princesinha tímida e insegura que deveria ficar quieta no meu canto, tremendo como uma folha enquanto o circo pega fogo. Mas adivinha só? Por trás de todo este ouro e desta seda pesada, tem uma garota real, cheia de medos, tropeços e pensamentos irônicos que ninguém imagina que passam pela minha cabeça.
E é exatamente por isso que estou te chamando aqui. Quero te convidar para entrar no meu mundo e ver de perto como funciona essa famosa Seleção — sem os filtros do protocolo e sem as mentiras bonitas que os historiadores vão inventar depois.
Puxa uma cadeira (ou deita confortavelmente aí na sua cama) e vem comigo. Prometo te contar cada segredo, cada mico e cada batida acelerada do meu coração. Só me faz um favorzinho? Segura a minha mão e não me deixa surtar sozinha no meio de tantas luzes e coroas, tá?
Bem-vindo à minha história. Prometo que vai valer a pena!
Com todo o meu carinho (e um tiquinho de pavor