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Sofia a escolhida · prefacio — tinta magica

Por tinta magica

Para trinta e duas nobres damas e camponesas de terras distantes, a Convocação é a chance de uma vida. A oportunidade única de abandonar o inverno severo, erguer-se no estrito sistema feudal e conquistar o coração de Henrique, o herdeiro de Iliea. Para Sofia de Navarra, porém, ser levada à corte é uma sentença de prisão. Nascida entre o sopro frio dos Pirineus e as intrigas políticas do histórico Reino de Navarra, Sofia aprendeu cedo que alianças se selam com sangue e que a honra é um luxo perigoso. Apaixonada secretamente por um jovem vassalo de suas terras e leal à sua gente, ela não deseja as joias de Illiea, tampouco a coroa de um reino rival. Contudo, forçada por obrigações feudais e para evitar que seu feudo seja esmagado pela fome e pelas dívidas de guerra, Sofia é enviada à suntuosa e rigorosa fortaleza real de Illiea. Lá, em meio a banquetes faustosos, espartilhos sufocantes e a vigilância constante da Igreja e da nobreza, ela se vê presa em uma disputa feroz. Mas, diferente dos contos de fadas, as regras desse jogo são dadas pela diplomacia medieval: conspirações de bastidores, venenos nas taças e traições a cada corredor. O que Sofia não esperava era encontrar no Príncipe Henrique não um tirano frio, mas um jovem pressionado por obrigações dinásticas e cercado por conselheiros corrompidos. Enquanto revoltas camponesas ameaçam os portões do castelo e velhas rivalidades entre Iliea e Navarra ameaçam eclodir em uma guerra devastadora, uma conexão perigosa surge entre eles. Dividida entre a promessa feita ao homem que deixou para trás e a inesperada atração por um príncipe que pode salvar — ou destruir — seu povo, Sofia precisará aprender a jogar o jogo dos tronos medievais. Pois em Illiea, o amor não é apenas uma escolha do coração: é uma questão de sobrevivência.

prefacio

Se você chegou até aqui esperando encontrar uma narrativa pomposa, cheia de “vossas mercês”, mesuras perfeitamente executadas e princesas que passam o dia inteiro bordando enquanto esperam o príncipe encantado voltar da guerra... bom, sinto muito estragar a sua ilusão, mas acho bom alargar o espartilho e se acomodar.

Escrever sobre a realeza vista de fora é muito fácil. Os historiadores adoram pintar nossos quadros com poses impecáveis, pele de porcelana e sorrisos serenos. Mas ninguém conta o que acontece quando a pintura seca e as portas do grande salão se fecham. Ninguém fala sobre as bolhas nos pés causadas por sapatos de salto rígido, nem sobre o pavor paralisante de ter centenas de olhos julgando cada respiração sua.

E é exatamente por isso que este livro existe.

Ele não nasce como um documento oficial do reino de Iléa, nem como um diário de etiqueta revisado pelos conselheiros de Navarra. Ele nasce como um desabafo desesperado. Um registro de como uma garota terrivelmente tímida, especialista em ter crises de ansiedade em horários inapropriados e mestre em pensar piadas internas na hora mais solene do protocolo, acabou no centro do evento mais comentado e perigoso de dois reinos.

Se você já se sentiu deslocado numa festa, se já quis virar fumaça para não ter que falar em público, ou se simplesmente já se apaixonou pelo garoto errado na hora errada (mesmo que ele seja o príncipe herdeiro mais bonito do planeta), parabéns: esta história é sua também.

Nas páginas a seguir, você vai encontrar amor, sim. Mas também vai encontrar o caos dos bastidores, as intrigas de bastão e coroa, amizades verdadeiras construídas no meio do fogo cruzado e uma princesa que tenta, todos os dias, descobrir como ser ela mesma quando o mundo inteiro exige que ela seja perfeita.

Então, um aviso final de amiga para amigo(a): respire fundo, ignore a etiqueta real por uns instantes e prepare-se. A vida no palácio está prestes a ser desmascarada — e eu prometo que você não vai querer perder nem um único segundo dessa bagunça real.

Com carinho, frio na barriga e um tico de sarcasmo,