CAPÍTULO 1 – O AMULETO.
O Rio Tapajós seguia seu curso, as águas claras deslizavam sobre a areia branca da margem, embaladas por pequenas ondulações que quebravam com delicadeza junto às pernas de Niara. O sol da tarde atravessava as nuvens em feixes dourados, riscava a superfície do rio e devolvia ao seu rosto uma luz que já não lhe pertencia. Em seus olhos castanhos, grandes e inquietos, havia apenas o reflexo de uma jovem tentando compreender como um único dia fora capaz de separar para sempre o antes e o depois da sua vida.
Nia, fechou os olhos profundamente e soltou uma respiração presa. Sua pele carregava a tonalidade de quem crescera entre rios e sol, e os cabelos lisos, escuros como a noite sem lua, moldavam um rosto de feições delicadas, mas de olhar decidido. Os braços guardavam marcas avermelhadas onde galhos e espinhos haviam lhe ferido durante a fuga pelo Bosque Araúna. A água fria do rio acariciava seus pés, porém era incapaz de apagar a lembrança das mãos que quase destruíram sua existência.
O rio oferecia silêncio, no entanto, seu coração, não.
Pouco antes, ela atravessara a pequena porta de madeira da casa onde vivia com a mãe. Não precisou dizer uma palavra.
A mulher apenas ergueu os olhos do paneiro que trançava e encarou a filha. Bastou um segundo. O vestido sujo e rasgado, os braços marcados, a respiração presa e o tremor involuntário das mãos diziam aquilo que nenhuma filha deveria ser obrigada a contar.
Dira tinha cinquenta anos, mas carregava no rosto o tempo de quem vivera muito mais. Seus olhos escuros conservavam uma serenidade rara, daquelas mulheres que aprenderam cedo que desespero não protege ninguém. Havia firmeza em sua postura, delicadeza na voz e uma coragem silenciosa que nunca precisou ser anunciada.
Ela abraçou a filha e não perguntou o que havia acontecido.
Apenas disse, quase num sussurro:
— Vamos.
Pouco depois, mãe e filha embarcavam no velho ônibus que ligava a comunidade Poço da Rainha à cidade de Santarém. Dira colocou uma jaqueta por cima do vestido da filha.
O veículo sacolejava pela estrada estreita, levantando pequenas nuvens de poeira avermelhada. De um lado, extensões de mata ainda resistiam ao avanço das cercas; do outro, campos abertos pareciam feridas recentes na floresta. O calor entrava pelas janelas abertas misturado ao cheiro de terra úmida, óleo diesel e folhas aquecidas pelo sol da tarde.
Nenhuma das duas encontrou forças para conversar. O barulho do motor preenchia os espaços que o medo deixava. Nia permanecia junto à janela, observando a paisagem desfilar lentamente. Crianças voltavam da escola em bicicletas, mulheres estendiam roupas nos quintais, e muitos homens conversavam nas paradas e ônibus e pequenos restaurantes da região. O mundo seguia igual. Só ela havia mudado.
Na delegacia, repetiu a mesma história três vezes. Depois vieram os exames. As perguntas. Os formulários. Tudo parecia frio demais para alguém que ainda tentava recolher os pedaços da própria dignidade.
O ambiente mudou ainda mais, quando pronunciou um único nome. “Paulo Bernardi.”
Os dedos do escrivão hesitaram por um instante diante do computador.
Os olhares se cruzaram discretamente. Alguém respirou mais fundo.
— Onde isso aconteceu? — Perguntou a delegada dando atenção para a vítima.
— No Bosque Araúna. Lá na comunidade Poço da rainha.
Ela parou ali. Guardou para si o restante. As sombras, os pássaros, o frio impossível. A presença que surgira entre as árvores. Se contasse a verdade, seria tratada como louca antes mesmo que acreditassem na tentativa de estupro.
Quando deixaram Santarém, o sol já descia lentamente no céu cheio de nuvens. A luz dourada invadia o interior do ônibus e transformava o vidro das janelas num espelho, onde mãe e filha pareciam duas estranhas observando o próprio silêncio. Estavam sentadas na última fileira. Nia mantinha os dedos entrelaçados aos da mãe, como fazia quando era criança durante as tempestades.
— A senhora acha que eles vão acreditar em mim? — perguntou, sem coragem de erguer os olhos.
Dira apertou sua mão.
— A denúncia foi registrada, tu fizeste os exames e a verdade existe mesmo quando algumas pessoas fingem não enxergar.
Nia respirou fundo.
— Tô com medo do que pode acontecer com a gente... A senhora viu a reação deles quando eu falei o nome do Paulo?
Dira demorou alguns segundos antes de responder, seu olhar perdeu-se na paisagem. A floresta corria ao lado da estrada como um mar verde interminável.
— Homens como ele passam a vida acreditando que dinheiro compra silêncio. Mas chega um dia em que alguém resolve falar. — A voz saiu firme, sem raiva e sem temor. Como uma raiz profundamente enterrada na terra. — E o sobrenome se desfaz em pedaços.
Nia encostou a cabeça no vidro, foi então que um vulto cruzou o céu. Uma ave escura surgiu acima das copas e acompanhou o ônibus por alguns segundos, planando sem mover as asas. Outra surgiu até que uma delas mergulhou de repente e bateu contra a janela. A jovem estremeceu. O pássaro permaneceu ali por um breve instante, os olhos escuros encontraram os dela. E, antes de desaparecer na direção da floresta, pareceu reconhecê-la.
Quando o ônibus dobrou na curva de terra batida, já na comunidade, levantou um rastro de poeira.
Minutos depois, Mãe e filha caminharam em silêncio pela pequena trilha que conduzia à casa. A comunidade Poço da Rainha parecia respirar numa cadência diferente da cidade. Ali ninguém tinha pressa. As poucas casas de madeira repousavam entre mangueiras, jambeiros e cajueiros antigos. Crianças corriam descalças atrás de uma bola improvisada; um rádio distante tocava um brega quase engolido pelo vento; uma canoa deslizava lentamente sobre o Tapajós, como se o rio recusasse qualquer movimento brusco.
A casa de Dira ficava onde a areia começava a vencer a mata. Era simples e pequena, feita de madeira escurecida pelo tempo, com janelas sempre abertas para que o vento atravessasse os cômodos. Bem diante dela erguia-se uma árvore antiga, de copa larga e generosa, cuja sombra acompanhara quase toda a vida de Nia. Quando criança, acreditava que aquela árvore conversava com o rio durante a madrugada.
Dira não entrou em casa, apenas pousou a bolsa sobre o banco da varanda, segurou delicadamente a mão da filha e apontou para a praia.
— Vem comigo.
Nia obedeceu prontamente e as duas caminharam descalças pela areia branca, ainda aquecida pelo sol da tarde. O rio Tapajós brilhava diante delas como uma imensa lâmina de vidro azul-esverdeado. Algumas nuvens atravessavam lentamente o céu, deixando que a luz surgisse e desaparecesse sobre a superfície do rio, como se o próprio dia respirasse. Quando a água alcançou seus tornozelos, Dira fechou os olhos. Parecia ouvir alguma coisa que existia muito antes da voz humana. Permaneceu assim durante alguns instantes, deixando que a correnteza envolvesse seus pés calejados. Voltou-se para a filha, os olhos escuros estavam serenos e firmes. Cheios daquela coragem silenciosa que somente algumas mulheres aprendem a carregar.
— Eu acredito em ti.
A frase rompeu a última resistência que Nia ainda sustentava.
— As marcas no teu corpo falam por si. Mas, ainda que não existissem... tua palavra me bastaria. — Dira acariciou lentamente o rosto da filha. — Nunca deixes ninguém convencer teu coração do contrário.
Nia baixou a cabeça, não chorava, porém, havia lágrimas demais presas para conseguirem sair.
— Ele teve o que merecia. — A voz de Dira endureceu pela primeira vez. — Muita gente daqui sabia do tipo de gente que Paulo Bernardi era. Só faltava alguém ter coragem de enfrentá-lo.
Nia soltou um suspiro pesado.
— Se aqueles pássaros não tivessem chegado... — Interrompeu a própria frase e olhou o horizonte. — ...eu mesma teria encontrado um jeito, mãe.
Nia estremeceu, mas porque, desde que deixara o Bosque Araúna, uma certeza crescia dentro dela sem pedir licença. Paulo Bernardi estava morto. Era uma certeza antiga, profunda, igual à convicção de quem reconhece o cheiro da chuva antes que a primeira gota toque a terra. Ela fechou os olhos, a imagem voltou inteira, as asas, o vento, um manto escuro e um grito agudo e assustador. E aquela mulher antiga...
— Mãe... — A voz saiu quase num sussurro. — Eu vi alguém.
Dira permaneceu imóvel.
— Uma mulher.
O silêncio da mãe fez Nia continuar.
— Ela... voava entre os pássaros. — Respirou fundo. — Parece loucura quando eu digo em voz alta.
Dira apenas perguntou:
— Tu tiveste medo dela?
Nia demorou a responder, olhou para o rio. As pequenas ondas quebravam delicadamente sobre seus pés.
— Não, mãe. — Sorriu sem perceber. Um sorriso triste. — O estranho é justamente isso. Ela nunca me deu medo. Sempre foi como... — Procurou as palavras. — ...como alguém que eu esqueci.
Dira baixou lentamente os olhos. Parecia esperar por aquela resposta havia muitos anos.
— Há lembranças que não pertencem apenas à nossa vida.
Nia a encarou.
— A senhora sabe quem ela é?
Dira permaneceu olhando para as águas.
— Sei apenas que algumas presenças caminham conosco muito antes de aprendermos nossos próprios passos.
— Que presenças são essas? A senhora sabe o que são? Me conta...
Dira sustentou o olhar da filha por alguns instantes. O vento atravessou a copa da grande árvore diante da casa, espalhando sombras sobre a areia clara.
— Tu sabes, Niara. Bem no fundo desses pensamentos embaralhados... Tu sempre soubeste. Só ainda não encontraste coragem de lembrar.
As palavras deixaram Nia ainda mais perdida entre aquilo que vivera e aquilo que parecia impossível de existir. O interrogatório na delegacia voltou à sua memória. As perguntas repetidas, os olhares desconfiados, o silêncio pesado quando pronunciou o nome de Paulo Bernardi.
— Às vezes eu penso que sei... Às vezes sonho... Mas depois tudo desaparece. — Respirou fundo. — Pensei que não deixariam a gente voltar pra casa... Achei que iam me prender.
Dira soltou um sorriso amargo.
— Nós somos pobres, minha filha. É assim que esse mundo costuma funcionar. Até quando somos vítimas, dão um jeito de nos fazer carregar a culpa. Mas desta vez será diferente.
Ela olhou para a areia branca sendo lentamente alcançada pelas pequenas ondas do Tapajós.
— A areia do tempo está do teu lado.
Nia apertou os próprios braços.
— Eu tô com medo... Eles vão vir atrás de mim.
Não era apenas o receio da polícia, nem da família Bernardi. Era o medo daquilo que caminhava entre as árvores. Da presença daquela mulher. Dos pássaros. Da certeza inexplicável de que Paulo estava morto.
Dira abaixou-se, mergulhou as mãos nas águas claras do Tapajós e deixou que escorressem lentamente entre seus dedos marcados pelo trabalho.
— Deixa esse mal ir embora.
Com delicadeza, passou as mãos molhadas sobre a cabeça da filha. Pequenas gotas deslizaram por seus cabelos escuros e escorreram pelo rosto ainda marcado pelo susto.
— Que a água leve o medo. Que a coragem que sempre morou em ti nunca encontre o caminho da partida.
Nia fechou os olhos.
— Eu ouvi o Paulo gritar, mãe... — A voz quase não saiu.
Dira permaneceu serena.
— Tu não podias fazer nada. — Fez uma pausa. — Era o destino dele.
O olhar da mulher perdeu-se na correnteza.
— Há destinos que começam a ser escritos muito antes da gente nascer. Quando ele chegou aqui, eu senti que alguma coisa antiga havia despertado. — Respirou fundo. — Não tenha medo dos pássaros. Eles te protegeram. Um dia vais compreender. E, quando esse dia chegar, agradece.
Nia ergueu lentamente os olhos.
— Eu nunca entendi...
Recordou-se de uma senhora que fumava às margens do Bosque Araúna quando ainda era criança. Na época, acreditara tratar-se apenas de uma senhora excêntrica. Agora já não tinha tanta certeza.
Dira sustentou o olhar da filha. Existia cansaço e ternura. E havia também um segredo antigo demais para ser entregue de uma só vez.
— Ela protege, minha filha.
Depois de alguns segundos, completou:
— Mas também sabe destruir.
O silêncio voltou a ocupar o espaço entre as duas.
— Agora que teus olhos a enxergaram... outras coisas também vão se revelar.
Apanhou mais um pouco de água entre as mãos.
— Só não deixes que o medo fale antes do teu coração.
Nia respirava com dificuldade. O corpo inteiro parecia estranho. Como se alguma parte dela tivesse sido despertada na mata.
— Eu nunca tive medo dessas coisas... — Segurou o braço da mãe. — Mas agora tem alguma coisa diferente dentro de mim. — Sua voz tremia. — É como se algo que sempre caminhou comigo tivesse passado na minha frente.
Dira acariciou seu rosto e disse:
— E esperado tua hora de alcançá-lo.
Dira fechou lentamente os olhos. Então começou a cantar. Não era uma canção aprendida, era uma memória. As palavras, antigas como a própria floresta, pareciam brotar da terra, atravessar suas veias e ganhar o mundo pelo sopro de sua voz. Havia naquele canto a presença dos povos que vieram antes dela, das mulheres que aprenderam a conversar com os rios, das avós que sabiam reconhecer o silêncio das árvores.
O Tapajós pareceu escutar. O vento diminuiu, até as folhas repousaram por um breve instante. Nia sentiu o peso sobre o peito tornar-se mais leve. Não desapareceu, mas deixou de esmagá-la. Foi então que ouviu o bater de asas e instintivamente virou o rosto.
Dira segurou delicadamente no queixo da filha.
— Não.
Nia voltou a fitá-la.
— Ainda não.
A firmeza da mãe não tinha dureza. Era proteção.
— Não te culpes.
Os olhos escuros de Dira brilhavam.
— Todos encontram, cedo ou tarde, o destino que escolheram para si.
Nia comprimiu os lábios. Ainda sentia o toque nojento de Paulo sobre a pele. Ainda ouvia sua respiração. Ainda lembrava do sorriso cruel que desaparecera no instante em que ele olhou para trás.
— Não sinto pena dele. — A voz de Nia saiu baixa. — Nem culpa. — Levou a mão ao peito. — Mas tem um peso aqui dentro... — Respirou profundamente. — Desde que conheci o Paulo, parecia que existia alguma ligação entre a gente. Como se eu já tivesse visto ele em outro tempo... em outro lugar, mãe.
Dira empalideceu. As palavras da filha abriram uma lembrança que ela passara vinte e um anos tentando manter enterrada. Abraçou Nia com força, como se abraçasse também o passado.
— Toda mentira começa doce. — A voz de Dira saiu quase num sussurro. — Mas nenhuma escapa do gosto amargo da verdade.
Dira queria dizer mais, porém não conseguiu. A garganta fechou.
Nia tornou a falar.
— Eu juro que não queria que aquilo acontecesse com ele.
Dira encostou no rosto da filha e disse:
— Alegria construída sobre a violência nunca dura. — Fez um carinho em seus cabelos. — E até os piores pesadelos acabam no raiar do dia.
Dira olhou para o céu. O azul começava lentamente a ceder lugar às primeiras cores da noite.
— Aprendi isso atravessando esse rio desde menina. — Dira sorriu discretamente. — E ele nunca mentiu pra mim. — Sua expressão endureceu apenas por um instante. — Escuta bem. Aquele homem nunca foi inocente e infelizmente ele estava no teu destino. E tu, minha filha, no dele.
Nia assentiu em silêncio.
— Às vezes a sina parece injusta, minha Niara...
Os dedos de Dira tocaram com cuidado os hematomas nos ombros da filha.
— Mas tudo neste mundo se entrelaça como os fios de uma malhadeira. Até aquilo que nos fere acaba sustentando a vida de alguém. — Sua voz enfraqueceu. — De alguém que ainda vai chegar...
Nia franziu o cenho e perguntou:
— Quem?
Dira sorriu. Um sorriso cansado.
— Talvez seja só impressão minha... — Mentiu e segurou novamente a mão da filha. — Agora mantém tua cabeça erguida. Nunca esquece de uma coisa, tu foste a vítima. Não importa quem ele seja, nem o sangue que carrega. Ele é o culpado.
Nia assentiu e delineou um olhar de esperança.
— Agora bora pra casa. Daqui a pouco a polícia vai chegar e vai querer que tu contes tudo outra vez. E escuta bem: conta exatamente o que aconteceu e de como ele te perseguia. — Endireitou a coluna e caminhou em direção a casa, na orla da floresta. Depois, como se a vida insistisse em seguir seu curso apesar da tragédia, murmurou: — E ainda tenho três encomendas pra entregar pra dona Vanice. O festival em breve começa... Espero que isso tudo não atrapalhe.
Nia percebeu o corpo mais leve. O medo continuava ali, silencioso, porém menos sufocante. Respirou profundamente, deixando que o vento e as palavras da mãe encontrassem abrigo dentro dela. Antes, porém, que se virasse, o ruflar de asas voltou a ecoar pela mata. Desta vez, não havia desespero. O som espalhou-se pela floresta num compasso sereno, quase acolhedor, como uma antiga cantiga atravessando as copas das árvores.
Nia ergueu os olhos. Uma formação triangular de pássaros desenhou-se no céu, poucos metros acima dela. Nenhuma ave parecia liderar o voo, e, ainda assim, todas se moviam como se obedecessem ao mesmo coração. Entre o bater das asas, vozes indistintas pareciam sussurrar palavras antigas, impossíveis de compreender. O tempo pareceu suspender a própria respiração. Então, algo se desprendeu daquela revoada. Um colar de pequenas sementes vermelhas desceu lentamente até tocar a superfície do rio sem produzir qualquer ruído. Presa ao fio, balançava uma única pena castanha, cujas extremidades escurecidas lembravam a sombra das asas que haviam cruzado o bosque.
O amuleto permaneceu flutuando, embalado pelo compasso manso das águas.
Nia curvou-se devagar. Seu reflexo surgiu na superfície cristalina do rio, o rosto bonito, de traços delicados, os olhos ainda marcados pela dor, mas agora atravessados por uma serenidade que ela desconhecia possuir. Como quem recebe um gesto sagrado, estendeu as mãos e envolveu o amuleto entre os dedos finos. Era um presente. Um presente dela. Do grande mistério que respirava entre as árvores e sussurrava através dos pássaros. A revoada voltou a ganhar altura, dividindo-se em direções opostas até desaparecer sobre a imensidão da floresta.
Nia levou o colar ao pescoço e no instante em que o amuleto repousou sobre sua pele, uma estranha sensação de pertencimento percorreu seu corpo. Sem compreender como, ela soube que aquele mistério sempre fizera parte dela.