A Viagem Era a Parte Fácil
A carruagem do Conselho não veio até a nossa porta.
Nélios apareceu quando a névoa da madrugada ainda cobria as pedras da rua. Bateu três vezes — o ritmo seco de sempre —, e eu abri antes que o som acordasse os vizinhos. Ele já estava pronto: manto de viagem preso por uma fivela de ferro escuro, duas sacolas transversais de lona grossa e, atravessado nas costas, o volume comprido envolto em panos que ele tirara debaixo do balcão na noite anterior.
Ele me examinou da cabeça aos pés sem dizer bom-dia.
— Ajeitou as correias das botas? — perguntou.
— Apertei onde você mandou.
— E a túnica?
— Minha mãe terminou as bainhas à meia-noite.
Nélios deu um puxão no tecido perto do meu ombro, testando a costura. Melissa surgiu no corredor, trazendo uma lamparina e uma bolsa de pano amarrada com barbante. Seus olhos estavam vermelhos de quem não havia dormido, mas seu rosto mantinha a mesma linha firme que assumira na véspera, diante do batente riscado de carvão.
— Deixe a roupa dele em paz, Nélios — disse ela, a voz mansa, mas sem calor. — Não foi feita para um desfile. Foi feita para aguentar poeira.
O velho soltou o linho e deu um passo para trás. Não respondeu à provocação. O silêncio tenso que reinava entre os dois desde a descida da montanha continuava ali, pesado e intransponível.
— A comitiva se reúne no portão ocidental ao nascer do sol — disse ele, voltando-se para mim. — São quase dez dias de marcha até o vale de Élis.
Apanhei minha mochila sobre o banco. O peso nos ombros assentou com naturalidade; meu corpo novo sustentava a carga sem o esforço desesperado que eu precisava fazer cinco dias antes.
— Dez dias de caminhada — comentei, ajustando a alça no peito. — E depois começam as provas?
— Depois você entra na Vila dos Campeões. As doze provas são separadas por semanas inteiras. Tratamento, estudo, recuperação de ferimentos e treinamento para a etapa seguinte. Se você não morrer antes, o Agón leva quase seis meses.
Parei no meio da cozinha.
— Seis meses?
— Aproximadamente — respondeu ele, ajeitando uma das sacolas. — Se você chegar até o fim.
Eu sabia que o Agón durava meses. As notícias sempre chegavam a Atenas aos poucos, e minha mãe acompanhava cada prova pelos Espelhos de Íris, mesmo dizendo que não queria ver. Saber disso era diferente de contar seis meses longe dela. Eu ainda não tinha conseguido me despedir por um dia inteiro.
Olhei para a minha mãe. Melissa continuava em silêncio junto à mesa; a tristeza em seu rosto deixava claro que ela já havia feito essa conta muito antes de mim.
Virei-me para Nélios.
— Tem certeza de que você vai comigo?
Ele franziu o cenho sob as sobrancelhas espessas.
— De onde tirou essa dúvida agora?
— São seis meses, Nélios — falei, a voz grave ressoando no cômodo baixo. — Longe da sua loja, das suas coisas... morando dentro de um alojamento de guerra no meio de soldados, nobres e sacerdotes.
Nélios soltou o ar pelo nariz, sem desviar os olhos dos meus.
— Minhas mercadorias não vão a lugar nenhum; pó não rouba azeite. E todo campeão tem direito a um mestre ao lado. Não pretendo deixar você lá para ser instruído por algum bajulador do templo que nunca segurou uma arma de verdade.
Ele deu um passo em direção à porta e me encarou com a dureza de costume:
— Eu disse à sua mãe que você não enfrentaria isso sozinho, garoto. Alguém precisa garantir que você continue respirando entre uma prova e outra. Agora pegue a sacola. O sol não vai esperar você terminar de medir o calendário.
Minha mãe deu dois passos à frente e colocou a bolsa de pano dentro da minha mochila. O cheiro doce de pão com mel atravessou o linho.
— Para a estrada — murmurou ela.
— Obrigado, mãe.
Ela ajeitou a gola do meu manto. Depois ajeitou de novo. Na terceira vez, segurei suas mãos com cuidado.
— Está tudo certo — falei. Minha voz nova pareceu grande demais para aquela cozinha.
Melissa ergueu o rosto. Precisou inclinar o queixo para encontrar meus olhos, e vi a dor daquela diferença física passar por sua expressão antes de ser trancada atrás de um suspiro profundo.
— Não lute para ser herói, Thaniel — disse ela, repetindo a promessa da noite anterior com a força de uma prece. — Lute para voltar por aquela porta.
— Eu vou voltar.
Ela me puxou para um abraço rápido, apertando os braços ao redor das minhas costelas largas com toda a força que possuía. Retribuí com delicadeza, ainda temendo a potência desajeitada dos meus novos músculos. Quando nos soltamos, Melissa virou-se para Nélios.
— Mande notícias — ordenou ela.
— Mandarei depois de cada prova.
— Mande antes, durante e depois, se encontrar um mensageiro que aceite suas moedas velhas.
Nélios inclinou a cabeça, aceitando a exigência sem discutir.
Saímos para a rua. A cidade ainda dormia, mas as tochas nos muros da Acrópole já começavam a empalidecer contra o céu cor de chumbo.
O portão ocidental de Atenas parecia o pátio de um quartel em dia de mobilização geral.
Carroças pesadas carregadas de mantimentos, arcas de armas, barris de azeite e tendas ocupavam o centro da via. Cavalos de guerra bufavam no ar frio da manhã, cercados por guardas municipais em armaduras de bronze polido e sacerdotes da coruja que conferiam listas escritas em placas de cera. No alto das carroças principais, doze estandartes de seda azul-escura com a coruja dourada balançavam ao vento.
Treze campeões estavam alinhados diante do arco de pedra. Apenas doze estandartes haviam sido confeccionados; ninguém tivera tempo — ou interesse político — de encomendar um décimo terceiro para a anomalia do templo.
A multidão apertava-se nas laterais, contida pelas lanças dos soldados. Famílias inteiras choravam, acenavam ramos de oliveira e gritavam nomes de campeões como se já estivessem diante de heróis consagrados.
Ao me aproximar do grupo, os olhares dos outros doze convergiram para mim. A maioria me observava com desconfiança evidente: viam um rapaz alto, de ombros largos e postura contida, mas sem o brasão de nenhuma família nobre e sem as cicatrizes clássicas dos ginásios militares.
Helena, a menina da chama, foi a primeira a quebrar a distância.
Ela usava uma couraça leve de couro fervido sobre a túnica azul e os cabelos castanho-escuros na altura do queixo completamente alinhados. Parou a dois passos de mim, correu os olhos pelas minhas botas, pela largura do meu peito e parou no meu rosto.
— Thaniel? — perguntou, a voz carregada de uma perplexidade genuína.
— Sim.
— O que aconteceu com você?
— Tomei uma decisão ruim com resultados promissores.
Ela olhou por cima do meu ombro, onde Nélios descarregava uma das bolsas pesadas no chão.
— Isso foi ideia dele?
— Quase tudo que dá trabalho nesta semana foi ideia dele.
— Então eu acredito na parte ruim — retrucou ela, sem esconder um esboço de sorriso amargo. — Esteja pronto. A estrada até o Peloponeso não perdoa quem não sabe onde pisa.
Ela deu meia-volta e retornou à sua posição. Gostei da frieza dela; era melhor do que a falsa comoção que cercava o restante da praça.
Um sacerdote idoso, carregando um bastão com asas de bronze de Hermes, subiu numa plataforma de pedra e bateu três vezes contra o chão. A praça calou-se.
— Cidadãos de Atenas! — proclamou a voz do templo. — Diante da sabedoria de Palas Atena e sob o decreto de Zeus Salvador, apresentem-se os doze campeões e o Décimo Terceiro da pólis!
O sacerdote começou a contagem. Um a um, os nomes foram recitados. Quando chegou a mim, o homem fez uma pausa minúscula, encarou meu rosto adulto — sem conseguir esconder um lampejo de incômodo nos olhos — e proclamou:
— Thaniel de Atenas, o Décimo Terceiro!
A multidão explodiu em vivas, lágrimas e chuva de pétalas secas de louro. A maioria das pessoas na rua ainda procurava o garoto miúdo que o rei dos deuses arrastara para dentro do santuário, e seus olhos passavam por mim sem fixar, procurando a criança que já não existia.
Não corrigi ninguém. O anonimato no meio daquele espetáculo me pareceu uma das poucas vantagens reais que eu havia conquistado.
As trombetas de bronze soaram no alto das muralhas. O portão pesado rangeu sobre os gonzos, abrindo o caminho para o oeste. A comitiva partiu sob o sol nascente.
A viagem durou dez dias.
No primeiro, descobri que Nélios considerava caminhar uma parte indispensável da sobrevivência, e as carroças da cidade, um luxo reservado a oficiais feridos ou sacerdotes preguiçosos. Enquanto alguns campeões revezavam assentos nos bancos acolchoados sob toldos de linho, nós dois marchávamos na poeira da estrada, acompanhando o ritmo lento dos animais de carga.
Passamos pelas colinas de Elêusis e seguimos pela estrada litorânea até o ancoradouro ocidental da Ática, de onde partiam as grandes barcas de transporte para o Peloponeso. O caminho até a costa estava tomado por caravanas de peregrinos, mercadores de vinho, carruagens de magistrados e pequenas comitivas de atletas que também rumavam para o santuário.
Nélios transformou a estrada numa extensão do depósito.
— Distribua o peso na almofada do pé, não no calcanhar — dizia ele, corrigindo minha passada sem diminuir o passo largo. — Se você marchar pisando duro, seus joelhos estarão moídos antes de colocarmos os pés nas balsas.
Quando parávamos nas estalagens do caminho para comer, ele mesmo controlava as porções: enchia meu prato com ovos cozidos, queijo duro, fatias de carne curada e frutas secas, explicando que a densidade muscular recém-adquirida exigia sustento constante para não ser consumida pelo cansaço da marcha.
Nos dias seguintes, passou a testar meus olhos.
— Aquele guarda na terceira carroça — murmurava ele enquanto caminhávamos sob o sol quente. — O que ele tem de errado?
Eu olhava de relance, fingindo observar a paisagem.
— Ele não ajustou a correia da greva esquerda. O metal bate na canela a cada passo.
— E o que isso significa?
— Significa que, se precisasse correr para defender a comitiva, tropeçaria no próprio ferro antes do décimo metro.
Nélios assentia com um movimento quase imperceptível de cabeça. Era o máximo que concedia como elogio.
Na segunda noite de acampamento, ainda nas colinas costeiras antes do porto, uma chuva fina e persistente deixou a lenha dos soldados úmida e fria. Dois guardas batiam pederneiras sobre a palha molhada sem conseguir nada além de faíscas que morriam no chão lamacento.
Helena aproximou-se, rindo de uma piada com outra competidora de Atenas. Abaixou-se com naturalidade, tocou a ponta do indicador na casca encharcada de um tronco e respirou fundo.
Uma linha fina de fogo alaranjado brotou de sua pele e correu pela madeira. A umidade ferveu num chiado agudo, soltando vapor branco, e em três segundos uma labareda limpa e viva ergueu-se estalando.
Ela se levantou e continuou a conversa, sem sequer olhar para trás.
Fiquei olhando o fogo. Helena o acendera sem parar a conversa; eu ainda pensava na caneca que quase quebrara na casa de Reyna.
Abri a mão. Ela era maior e mais forte do que dez dias antes. Às vezes, quando eu me movia depressa, sentia um impulso que não sabia repetir. Talvez fosse a fagulha de que Reyna falara. Talvez eu apenas estivesse aprendendo a usar um corpo novo.
Fechei os dedos. Nenhuma chama apareceu. Helena podia secar a lenha com um toque; eu ainda precisava tomar cuidado para não derrubar o próprio prato.
No quarto dia, alcançamos o cais de embarque. Transportar a comitiva — dezenas de cavalos assustados, três carroças de suprimentos e os soldados de Atenas — para as balsas pesadas de fundo chato tomou metade da manhã.
Quando a embarcação finalmente soltou as amarras e o mar aberto começou a balançar o convés, descobri outro defeito do meu corpo novo: o centro de gravidade recém-adquirido não sabia lidar com ondas. O estômago subiu até a garganta no terceiro solavanco. Passei quase quatro horas de travessia agarrado à amurada de madeira úmida de sal, assistindo à costa da Ática encolher enquanto o azul-escuro e profundo das águas de Poseidon corria rápido sob o casco.
Nélios mastigava carne seca ao meu lado, sem demonstrar o menor desconforto.
— O mar não tem piedade de quem tenta brigar com o prumo — comentou ele.
— O mar podia ter avisado antes — murmurei, com o gosto amargo de salmoura na boca.
Quando a barca atracou, senti o cheiro de Corinto antes de vê-la direito: sal, peixe seco, piche quente. Em Atenas, quase toda parede importante tinha uma coruja. No cais, os tridentes apareciam nas pedras, nas velas e até nos anéis onde prendiam os navios.
Desci ainda enjoado da travessia. Havia homens descarregando blocos de minério, carroças espremidas entre os armazéns e marinheiros gritando palavras que eu mal entendia. Acima dos telhados, a fortaleza da cidade subia pela rocha. Tentei enxergar onde terminava.
Um carregador quase esbarrou em mim.
— Sai do caminho, grandalhão!
Nélios me puxou pela correia da mochila.
— Feche a boca, Thaniel. Um ladrão já poderia ter levado suas moedas.
— Eu nem percebi que estava de boca aberta.
— Esse é um dos problemas.
Segui-o para fora do cais. Em Atenas, eu sabia encontrar minha casa até no escuro. Ali, se Nélios desaparecesse entre duas carroças, eu não saberia sequer para que lado ficava o mar.
A comitiva subiu das docas barulhentas para a cidade baixa, abrindo caminho entre carroças de peixe, ferrarias navais e estalagens de marinheiros. Na subida, percebi que a marcha começava a pesar para Nélios. Ele não admitia, mas sua perna direita arrastava ligeiramente na poeira. Aproximei-me, estendi o braço e puxei a sacola de lona que ele carregava no ombro.
— Deixe isso comigo — falei.
Ele tentou segurar a correia, mas meus dedos novos fecharam sobre o couro e ergueram a carga com facilidade. Nélios olhou feio para mim.
— Não pedi ajuda, garoto.
— Nem eu pedi permissão.
Aproveitei o movimento e tentei alcançar com a mão livre o volume comprido amarrado nas costas dele, sentindo a rigidez do metal sob o tecido escuro.
Nélios bateu com a mão aberta no meu antebraço, afastando-me de golpe.
— Esse não.
Sorri de canto.
— Não vai admitir o que é?
Ele ajeitou a tira transversal no peito, os olhos semicerrados em fendas cinzentas.
— É um instrumento cartográfico.
— Em Atenas tinha punho de ferro e pomo talhado.
— É um mapa de fronteiras muito detalhado. Exige peso para não voar com o vento.
— Nélios, você mente muito mal quando tenta ser engraçado.
— E você fala muito bem para alguém que ainda tem seis horas de subida pela frente. Mantenha o ritmo.
Ele me deixou carregar a sacola por meia hora antes de arrancá-la de volta, resmungando que força exibida à toa era o caminho mais curto para a cova.
Paramos numa praça para encher os odres. Os sinos tocaram, e as pessoas se voltaram para um Espelho de Íris preso à parede. Vi a partida da nossa comitiva de Atenas. A imagem mostrava os estandartes e as armaduras limpas; não mostrava a poeira, as rodas emperradas nem o modo como minha mãe ficara sozinha diante de casa.
Então apareceu meu rosto de dez anos, ajoelhado na noite da Assembleia.
Um arauto anunciou que Zeus escolhera o Décimo Terceiro e lhe concedera, por misericórdia, o corpo de um campeão. O Espelho passou para uma imagem minha saindo pelo portão ocidental. Alguém havia colocado as duas cenas juntas e inventado tudo o que acontecera entre elas.
— Eles sabem que eu mudei — falei a Nélios.
— É difícil esconder isso com você andando ao lado da comitiva.
— E decidiram dizer que foi Zeus.
Ele observou o Espelho por mais um instante.
— Ou alguém decidiu por eles. Não importa quem contou primeiro; agora é a história que os sacerdotes vão repetir.
Pensei em Reyna, na casa sem símbolos dos Doze e na advertência que ela fizera antes de partirmos.
— Se descobrirem onde estivemos...
— Não vão descobrir — disse Nélios.
Na praça, uma mulher agradecia em voz alta pela bondade de Zeus. Eu me lembrava das tiras de couro na mesa e da voz de Reyna mandando que respirasse. Tive vontade de dizer o que realmente acontecera.
Nélios percebeu.
— Guarde a verdade até saber quem está ouvindo, garoto.
Não gostei de obedecer. Mesmo assim, deixei a praça em silêncio.
Nos dias seguintes, a estrada transformou-se num afunilamento de todo o mundo grego.
Nos vales de Élis, começaram a aparecer comitivas de outras pólis. Os espartanos marchavam em silêncio. Os arqueiros de Éfeso olhavam para as árvores mesmo quando ninguém as ameaçava. Cruzamos carroças douradas de Pafos tão largas que nos obrigaram a sair da estrada.
Ninguém atacou ninguém. Nélios explicou que a Trégua Sagrada tornava qualquer agressão fora da arena uma ofensa contra os Doze. Os guardas continuavam com as mãos nas armas.
Na manhã do décimo dia, alcançamos uma crista rochosa. Olímpia ocupava o vale abaixo de nós. Vi primeiro os pavilhões das pólis; depois, o estádio. Seus arcos se erguiam acima de tudo. Mesmo daquela distância, ouvi a multidão.
— Você já esteve aqui? — perguntei.
Nélios demorou a responder.
— Fiz entregas. Faz vinte anos.
— Assistiu às provas?
— Vim receber o pagamento e ir embora.
Ele ajeitou o embrulho comprido às costas. Não disse mais nada. Pela primeira vez desde que saíramos de Atenas, também não pedi outra resposta. Fiquei olhando para o estádio e esperei que Nélios começasse a andar.
A comitiva retomou o passo, descendo a encosta em direção ao arco monumental que marcava a fronteira do solo sagrado. Doze sacerdotes em vestes brancas cercaram a passagem, conferindo os medalhões de bronze de cada participante.
O oficial de registro correu o dedo pelas tábuas de cera de Atenas. Parou em mim, erguendo a ponta de ferro do estilete.
— Treze? — murmurou ele, a testa franzida.
A sacerdotisa ateniense à frente respondeu sem hesitar:
— Por determinação de Zeus. Seja inscrito Thaniel de Atenas.
O oficial engoliu em seco, gravou a marca na cera e abriu passagem com um aceno rígido.
Nélios tocou meu ombro, empurrando-me suavemente para a frente.
— Chegamos.
Dei o primeiro passo dentro de Olímpia. Durante dez dias, meu corpo novo suportara a marcha melhor do que eu esperava. Ali havia cento e quarenta e quatro pessoas preparadas para as mesmas provas, e eu ainda calculava onde pôr os pés quando o chão era irregular.
Nélios diminuiu o passo até ficar ao meu lado. Talvez achasse que eu precisava olhar mais um pouco. Talvez também precisasse.
A viagem tinha sido a parte fácil.