Pular para o conteúdo

Sofia a escolhida · Capítulo 7: Segredos Compartilhados e Bochechas Coradas — joaovictorgazola114@gmail.com

Por joaovictorgazola114@gmail.com

Capítulo 7: Segredos Compartilhados e Bochechas Coradas

Ainda com o coração aos pulos, Sofia mal tinha guardado o pedaço de carvão quando uma silhueta familiar surgiu apressada por entre as tapeçarias. Era Marlee, sua melhor amiga, que trazia os olhos arregalados de pura ansiedade e um sorriso cúmplice que ia de orelha a orelha. Ao seu lado, com passos mais calmos e um olhar acolhedor de proteção, vinham Mary e Elize, completando o trio de amigas leais que Sofia tinha na corte de Ileia.

Marlee segurou Sofia pelos ombros, fazendo a garota dar um pequeno salto de susto e prender o diário contra o corpo com ainda mais força.

— Sofia! Eu não estou acreditando no que os meus olhos acabaram de ver! — sussurrou Marlee, a voz esganiçada de emoção, balançando a amiga de leve. — Você... você estava conversando com o Príncipe Henry? O herdeiro do trono?!

Sofia sentiu o rosto queimar instantaneamente, as bochechas ganhando um tom rubro intenso. Ela desviou o olhar, encolhendo os ombros com aquele seu jeitinho tímido, e começou a enrolar a ponta de sua trança embutida entre os dedos trêmulos.

— Shh! Fala baixo, Marlee, por favor! — pediu Sofia, com a voz doce e assustada, olhando para os lados para garantir que nenhum guarda as observava. — Não foi nada disso... Eu não estava conversando com ele. Quer dizer, eu estava, mas... foi um acidente catastrófico!

— Um acidente? Sofia, ele estava sorrindo para você! — Mary deu um passo à frente, ajustando as saias do próprio vestido com um sorriso radiante. Ao contrário das nobres arrogantes, Mary tinha um instinto quase materno com Sofia. — Nós vimos tudo do outro lado do salão. Você parecia uma bonequinha de porcelana de tão assustada.

— Eu... eu estava aqui sentada desenhando as colunas do salão no meu diário — explicou Sofia, gesticulando com as mãos de forma desajeitada, os olhos grandes e inocentes brilhando ao lembrar da cena. — Aí ele apareceu do nada e elogiou o desenho. Eu tomei um susto tão grande que me levantei rápido demais, tropecei na barra do meu próprio vestido e... e caí direto nos braços dele!

— Ai, meu Deus! — Elize levou as duas mãos à boca, com os olhos brilhando de puro romantismo. Elize era a mais romântica do grupo, sempre suspirando pelas histórias dos livros. — Você tropeçou no príncipe! Isso é tão... poético! E o que ele fez? Ficou bravo? Ele te tratou mal?

— Não! Ele foi tão... tão gentil — Sofia soltou um suspiro bobo, mordendo o lábio inferior naquele seu tique nervoso clássico, antes de olhar para baixo, envergonhada com a própria confissão. — Ele me segurou para eu não cair, juntou meu diário do chão e disse que eu tinha um talento impressionante. E depois... ele me pediu para chamá-lo só de Henry. Ele não tem nada daquela arrogância que os outros nobres têm aqui na corte.

Marlee segurou as mãos de Sofia, pulando de leve no lugar, sem conseguir conter a animação, exatamente como uma confidente entusiasmada faria.

— Só Henry? Sofia, isso é um sinal! Ele ficou completamente encantado pelo seu jeito. Dá para ver de longe que ele te achou especial!

— Não viaja, meninas! — Sofia riu, balançando a cabeça negativamente, o rosto ainda corado enquanto tentava se esconder atrás do caderno de couro, usando-o como um escudo protetor. — Ele só foi educado com uma boba que quase quebrou o nariz no chão de pedra do castelo. Um príncipe de verdade, um futuro rei, nunca prestaria atenção em alguém tão sem graça, desastrada e tímida como eu.

— Ah, por favor, Sofia, olhe para você! — Mary interveio, aproximando-se e ajeitando carinhosamente uma mecha solta do cabelo de Sofia para trás da orelha. — Você é linda, é doce e tem um coração puro. Esse castelo é cheio de garotas fingidas e ambiciosas. O Henry provavelmente achou em você a única coisa real e sincera de todo este banquete.

— A Mary tem toda razão — concordou Elize, abraçando Sofia de lado com entusiasmo. — Você não é sem graça. Você é única. E aposto que ele não vai esquecer o seu nome tão cedo.

Sofia olhou para as três amigas, sentindo um calorzinho reconfortante no peito. A lealdade e o carinho delas a faziam se sentir segura em um lugar tão intimidador. Ela olhou para o diário em seus braços, onde os traços em carvão do sorriso de Henry esperavam para ser terminados. O frio na barriga ainda estava ali, mas agora, com o apoio de suas melhores amigas, a timidez dava um pequeno espaço para a esperança.